Brazil
February 17, 2009
A estiagem no início da safra de
soja, o vazio sanitário adotado pelos estados produtores e as
aplicações de fungicidas na floração da soja conseguiram segurar
a incidência da ferrugem asiática na safra 2008/2009. No
entanto, é preciso atenção, a partir de agora, porque além das
chuvas frequentes que favorecem a doença, a colheita da soja
precoce, em algumas regiões brasileiras, deve empurrar o fungo
causador da ferrugem para as áreas de ciclo médio e tardio,
avalia a pesquisadora Cláudia Godoy, da
Embrapa Soja.
Cláudia explica que algumas áreas que estão sendo colhidas já
perderam o efeito residual dos fungicidas, no entanto, o fungo
causador da doença continua se multiplicando. Neste caso, os
esporos do fungo, que é disseminado pelo vento, vão buscar novas
plantas para se instalar. “Por isso, é importante monitorar a
lavoura, mesmo depois de feita a primeira aplicação, nestas
áreas, para definir se haverá necessidade de reaplicação e
definir qual deve ser o intervalo a ser adotado”, alerta.
De acordo com o Consórcio Antiferrugem, atualmente, estão
registrados 1139 focos, distribuídos na principais regiões
produtoras de soja: Paraná (418), Goiás (193); Mato Grosso do
Sul (163), Mato Grosso (131); Rio Grande do Sul (103); Bahia
(65); Minas Gerais (28); Santa Catarina (19); São Paulo (9);
Rondônia (9) e Maranhão (1).
O gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho
de Mato Grosso Aprosoja/MT, Luiz Nery Ribas Para Nery Ribas, diz
estar preocupado com aumento de focos nas últimas semanas, em
decorrência das chuvas. “Estamos preocupados porque, no ano
passado, as perdas foram maiores na soja de ciclo médio e
tardio”, lembra. “É preciso redobrar o monitoramento da safra,
apesar de muitos produtores já terem feito aplicações na
floração da soja”.
Em Goiás, apesar dos 171 focos registrados, a severidade da
doença não está alarmante como nos anos anteriores, informa o
gerente de pesquisa e produção do CTPA, José Nunes Júnior. Para
ele, este cenário é decorrente das condições climáticas que não
favoreceram a doença. “Houve atraso nas chuvas”, explica.
De acordo com Nunes, o sudoeste goiano já está colhendo a soja
precoce, mas ainda há muita soja de ciclo médio e tardio.
“Portanto, a pressão do fungo sobre a soja deve ser grande
agora. O produtor tem que estar atento e vigilante para evitar
as perdas”, recomenda.
Confira a situação da ferrugem em outras regiões produtoras no
Sistema de Alerta
www.cnpso.embrapa.br. |
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