Brazil
November 13, 2008
Alfredo do Nascimento Junior
Pesquisador da Embrapa
Trigo
Resultante do cruzamento entre trigo e centeio, o triticale
possui boas qualidades herdadas dessas espécies. O cultivo de
triticale no Brasil, nas últimas oito safras, manteve em média,
área de 100 mil hectares/ano. Maiores incrementos ocorreram nos
estados de São Paulo e no norte do Paraná, devido a melhor
adaptabilidade do triticale ao estresse hídrico, a solos ácidos
e ao menor custo de produção, quando comparado a outros cereais.
Nesses locais, o grão colhido tem superior qualidade e a farinha
é utilizada em mesclas com farinha de trigo, para a fabricação
de biscoitos e massas para usos diversos, além da formulação de
rações para suínos e aves, permitindo ao produtor obter valores
próximos àqueles recebidos pela venda de trigo.
Em 2008, foram cultivados pouco mais de três mil hectares em
Minas Gerais, configurando um marco na busca de alternativas de
sucessão e de rotação aos sistemas de produção que têm na soja,
no milho, no feijão e no algodão a base da sustentabilidade.
Para os cerrados do Brasil Central, os materiais devem ser
adaptados ao regime de sequeiro, apresentar elevado potencial de
rendimento e precocidade suficiente para diminuir a incidência
de doenças de espiga (principalmente brusone) e permitir
colheita antecipada, favorecendo a cultura posterior,
normalmente a soja e milho, na expressão de todo potencial
agronômico.
A contribuição do triticale vai além do uso grão, da farinha ou
produto final. A palha produzida (raiz, colmos, folhas e
espigas) é verdadeira “poupança” para a terra, com melhorias de
fertilidade, da vida microbiana e da água do solo, com redução
dos efeitos nocivos da erosão, através da palha em cobertura.
Poucas espécies conseguem efetivamente crescer e desenvolver em
condições marginais de déficit hídrico e elevada acidez como o
triticale, retornando com benefícios econômicos.
O planejamento da safra de 2009 deve levar em consideração o
sistema e a contribuição de cada uma das diversas espécies
disponíveis, inclusive do triticale, para obter o máximo da
sustentabilidade econômica, social e ambiental.
Foto: triticale é alternativa em regiões marginais
crédito Alfredo do Nascimento Junior |
|