Brazil
July 15, 2008
O Consórcio Antiferrugem realizou
no último dia 26 de junho, em Londrina, PR, a reunião de
avaliação da safra de soja. Participaram do evento cerca de 150
pessoas, entre representantes de governo, instituições de
pesquisa, ensino, extensão e indústria química. “Foi um ano mais
favorável ao produtor. O vazio sanitário e o atraso geral nos
plantios em função das condições climáticas contribuíram para
que a doença chegasse com um atraso de quase um mês nas
lavouras”, explica a pesquisadora Cláudia Godoy, da
Embrapa Soja.
Entretanto, apesar da doença ter sido mantida sob controle,
algumas regiões preocupam os técnicos ligados ao Consórcio
Antiferrugem. Nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul,
em algumas situações específicas, foi detectada a menor
eficiência dos fungicidas do grupo dos triazóis no controle da
ferrugem. O problema foi observado no final da safra, mas, desde
2006, a empresa Bayer, integrante do Consórcio Antiferrugem, vem
monitorando a sensibilidade das´populações do fungo aos seus
produtos (triazóis e estrobilurina).
Nessa safra foi possível caracterizar uma menor sensibilidade em
condições específicas. “É uma soma de fatores que podem ter
ocasionado esse problema que vão desde o uso contínuo de um
produto com modo de ação específico, utilização de subdoses,
aplicações do produto nas situações mais curativas e extensas
áreas tratadas com o mesmo produto” explica a pesquisadora
Cláudia Godoy, da Embrapa Soja.
Em decorrência desse fato, o Consórcio Antiferrugem orienta para
que nas regiões do MT, MS e GO sejam utilizadas
preferencialmente misturas de triazóis e estrobilurinas no
controle da ferrugem. Nas demais regiões do País, onde não foram
observadas populações menos sensíveis, tanto a mistura de
estrobilurina e triazól ou triazól isoladamente podem ser
utilizadas.
É importante que técnicos e produtores estejam atentos para não
permitir que a ferrugem se desenvolva a níveis críticos em suas
lavouras, evitando assim aplicações de produtos em situação de
alta pressão de doença e de forma curativa. “O fungicida é hoje
uma das principais estratégias de manejo e temos que preservá-lo
para continuar viabilizando o cultivo da soja” explica a
pesquisadora. O Consórcio disponibilizou em seu site
(www.consorcioantiferrugem.net) a palestra com as estratégias
recomendadas pelo FRAC (Comitê de Ação a Resistência a
Fungicidas) para se evitar o problema.
Apesar do problema da menor sensibilidade ter sido identificado,
os técnicos avaliam positivamente a safra, uma vez que as perdas
de produtividade por ferrugem praticamente não ocorreram na
safra 2007/08. Na avaliação do diretor de defesa sanitária do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José
Baldini, os bons resultados a campo mostram a importância dos
trabalhos desenvolvidos no âmbito do Consórcio Antiferrugem.
“Desde que a doença apareceu em 2002, houve um grande empenho
para levar informações ao produtor e uma intensa busca por
produtos e técnicas de controle mais eficientes. Foi uma união
que mostrou a força do setor produtivo. É um exemplo para outras
culturas”, destacou.
A agrônoma Mônica Martins, da Fundação Bahia, alerta que o
produtor não pode se acomodar. “Não é porque a doença está
aparecendo mais tarde e em condições de baixa pressão que o
produtor vai baixar guarda na próxima safra. Com a ferrugem é
preciso estar sempre atento”, aconselha.
Apesar da trégua da ferrugem, outras doenças cresceram em
importância. Relatos de técnicos de diferentes estados ligados
ao Consórcio Antiferrugem destacaram a ocorrência da mancha-alvo
(Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), do mofo branco (Goiás,
Paraná e Minas Gerais) e podridão carvão (Paraná, Mato Grosso e
Mato Grosso do Sul).
Números – De acordo com o pesquisador Rafael Moreira
Soares, o mapa do Consórcio Antiferrugem recebeu 2106
confirmações de focos durante a safra 2007/08, enviadas por 45
laboratórios credenciados para o diagnóstico. O Paraná foi o
estado que mais alimentou o site com informações sobre a
evolução da doença, seguido de Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio
Grande do Sul e Bahia. Na avaliação da responsável técnica pela
área de sanidade de grandes culturas da SEAB-PR, Maria Celeste
Marcondes, a safra passada mostrou a importância do
monitoramento permanente. “Com as unidades de alerta e a
ferramenta de monitoramento dos focos pela internet, foi
possível fazer um trabalho pró-ativo junto ao produtor”, avalia
a técnica que vem acompanhando a implantação do primeiro ano de
vazio sanitário no Paraná. |
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