Brazil
January 8, 2007
A
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia possui tecnologia
para multiplicar massivamente a espécie de flor lisianthus com
rapidez e simplicidade. A planta é linda, mas ainda pouco
conhecida no mercado brasileiro.
Também conhecida como genciana do prado, a lisianthus é
originária das regiões desérticas dos Estados Unidos (Texas,
Arizona) e México e pode apresentar três cores básicas: azul,
rosa e branca. Essa espécie começou a se destacar economicamente
no Brasil na década de 90, mas já é amplamente comercializada em
países europeus e no Japão.
Embora com grande potencial de produção e de mercado no Brasil,
o lisianthus é ainda pouco estudado em condições de clima
tropical, diferentemente do que acontece no Japão, onde
pesquisas sobre ela vêm sendo feitas há mais de 30 anos.
É uma planta ornamental da família das Gentianaceas e o seu
cultivo pode ser feito como flor-de-corte ou em vasos. Há
diferenças de preferência entre os mercados consumidores: o
europeu prefere o azul-escuro, enquanto o japonês e o brasileiro
preferem o branco com bordas azuis.
“No Brasil, o cultivo do lisianthus é incipiente, mas
promissor”, como explica o pesquisador da Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia, Pedro Barrueto. Segundo ele, suas
flores podem alcançar cerca de oito centímetros de comprimento e
sua haste pode apresentar vários botões florais, de corte ou de
vaso e, em qualquer os dois casos, a flor é de longa duração.
A planta requer vários dias para florescer e a formação das
flores é problemática, pois depende diretamente das condições
climáticas. No cultivo convencional de lisianthus, como afirma
Barrueto, um dos principais problemas é o tamanho da semente
(aproximadamente 20.000/gr), o que obriga o floricultor a um
processo cuidadoso e vagaroso de manipulação nas bandejas de
germinação, que pode chegar a 12 meses até alcançar a floração.
Embrapa investe em cultura de tecidos para lisianthus
“A cultura de tecidos tem se mostrado uma ferramenta importante
para a produção em grande escala de lisianthus, visando o
mercado nacional e internacional”, ressalta o pesquisador.
Por isso, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia vem
investindo no desenvolvimento da técnica de cultura de tecidos
para multiplicar massivamente plantas de lisianthus, de uma
maneira rápida, simples e segura.
Essa técnica permite a obtenção de milhares de propágulos
(estruturas que se desprendem de uma planta adulta para dar
origem a uma nova planta geneticamente idêntica à planta de
origem) a partir de um simples fragmento da folha, resultando em
plantas com flores sadias e vigorosas.
Além disso, o fato de trabalhar com material selecionado garante
à equipe de biotecnologia vegetal da Embrapa Recursos Genéticos
e Biotecnologia a redução no tempo de floração, favorecendo
ainda mais a relação custo/beneficio.
No Brasil, o mercado de flores movimenta aproximadamente 800
milhões de reais, e no mundo todo, vários bilhões de dólares.
Trata-se de um segmento onde a agricultura familiar, bem como
pequenos e grandes empreendedores têm espaço para a
comercialização de seus produtos. “A tecnologia de cultura de
tecidos de plantas é uma das contribuições da Embrapa para
aumentar a participação do Brasil no mercado global de flores,
como o lisianthus e outras. Além disso, é mais uma prova de que
a biotecnologia é um vetor fundamental para o fortalecimento do
agronegócio brasileiro”, finaliza o pesquisador. |