Estudos beneficiam o controle
biológico de percevejos na soja |
Brazil
September 18, 2006
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Percevejo marrom da soja:
na mira da Embrapa
Foto: Arquivo Embrapa |
A
Embrapa
Recursos Genéticos e Biotecnologia
está desenvolvendo pesquisas com semioquímicos (feromônios)
para controle e monitoramento de percevejos que atuam como
pragas na cultura da soja no Brasil. Os feromônios são os
mais importantes elementos da comunicação entre os insetos.
São substâncias químicas de cheiro peculiar, presentes em
cada espécie, que atuam como meios de comunicação. Na
natureza, os feromônios são responsáveis pela atração de
indivíduos da mesma espécie para acasalamento, demarcação de
território e outros tipos de comportamento. Os cientistas
reproduzem, em laboratório, as condições observadas na
natureza para monitorar o comportamento dos insetos-praga e
interromper a sua reprodução.
Segundo o pesquisador Miguel Borges, coordenador das
pesquisas com semioquímicos na Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia, no momento os estudos estão mais direcionados
para o percevejo marrom da soja (Euchistus heros), mas o
objetivo é estendê-los para todo o complexo de
percevejos-praga da soja, que inclui também: o percevejo
verde (Nezara viridula) ou maria fedida, como é popularmente
conhecido, e o percevejo pequeno (Piezodorus guildinii),
além das espécies "Thyanta perditor", "Acrosternum
impicticorne", "Acrosternum ubicum" e "Dichelops
melacanthus" ou barriga verde. Esses insetos estão entre as
piores pragas dessa cultura no Brasil hoje, por se
alimentarem diretamente nos grãos, causando sérios prejuízos
no rendimento e na qualidade das sementes. Dentre os
principais danos, destacam-se: sementes com baixo vigor,
menor teor de óleo, além do fato de que os percevejos
facilitam a entrada de fungos, que podem causar outras
doenças nas plantas.
Adicionalmente aos danos causados na cultura da soja, as
mudanças ambientais e comportamentais induzidas pelas
modernas práticas agrícolas têm preocupado produtores de
algodão, pois durante a colheita da soja é observada uma
grande migração dos percevejos para a cultura do algodão,
danificando as maçãs do algodoeiro e reduzindo a produção.
Essa migração tem ocorrido também para a cultura do milho,
especialmente das espécies "N. viridula" e "Dichelops sp.",
causando perdas em plantas de milho com até 25 dias de
plantio.
O controle biológico das pragas da soja é uma prioridade,
segundo Borges, já que essa cultura é de extrema importância
para o Brasil, que hoje é o segundo maior produtor mundial,
com uma produção de cerca de 60 milhões de toneladas. Mas,
futuramente, os estudos com feromônios serão estendidos
também para outras culturas agrícolas. Já foram iniciados
estudos, em parceria com a Embrapa Acre, para utilização
dessas substâncias no controle da broca do cupuaçu em um
programa de agricultura familiar denominado RECA (Projeto de
Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado).
Estudos estão sendo conduzidos também em parceria com a
Embrapa Arroz e Feijão para utilização dessas substâncias no
controle do percevejo do colmo do arroz, "Tibraca
limbativentris".
Produto para controlar percevejo da soja deverá chegar ao
mercado em 2006
As pesquisas estão sendo conduzidas em parceria com a
empresa privada Biocontrole - Métodos de Controle de Pragas
Ltda. e vão resultar no desenvolvimento do primeiro produto
biológico a base de semioquímicos para o controle do
percevejo marrom da soja no Brasil. Borges acredita que o
produto chegue ao mercado ainda este ano.
Segundo pesquisador, os semioquímicos ocupam hoje cerca de
30% do mercado de biopesticidas no mundo, perdendo apenas
para os inseticidas bacterianos e os botânicos. No Brasil, o
mercado de semioquímicos está em franca expansão, com mais
de 15 produtos registrados e outros em fase de registro.
Cientistas estudam também a comunicação sonora entre os
insetos
A equipe do Núcleo de Controle Biológico da Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia está investindo também em estudos
de comunicação sonora entre os insetos, em parceria com a
Embrapa Instrumentação Agropecuária, em São Carlos/SP, com o
objetivo de conhecer melhor o seu comportamento na natureza
para poder manipulá-los em laboratório e viabilizar formas
de controle na agricultura.
Segundo Miguel Borges, os estudos também estão sendo
desenvolvidos com o percevejo marrom da soja e podem ser
muito úteis para atração de inimigos naturais dessa praga
nas lavouras.
Primeiro, o som é gravado a partir dos insetos em
laboratório. Depois, são reproduzidos e testados com as
pragas e seu inimigo natural, a vespinha parasitóide de
ovos. O objetivo, de acordo com o pesquisador, é chegar a um
pequeno chip contendo os sons emitidos pelos insetos para
colocação em armadilhas que serão utilizados no campo para
captura dos percevejos e atração de seus inimigos naturais.
Fernanda Diniz
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