Brasil
October 24, 2006
Segundo estudo do Banco Mundial, a
África poderia exportar milhões de dólares com o comércio de
produtos agrícolas se atentasse às normas internacionais de
sanidade e controle de qualidade dos alimentos. O mesmo acontece
com o Brasil e um exemplo muito próximo é a castanha-do-brasil
que enfrenta embargos severos da comunidade européia.
A fim de ampliar os destinos comerciais dos países em
desenvolvimento, o Banco Mundial e a OMC (Organização Mundial de
Comércio) criaram há quatro anos um novo fundo: o Mecanismo para
Elaboração das Normas e Desenvolvimento do Comércio (Standards
and Trade Development Facility (STDF).
Em março, a Embrapa Acre
(Rio Branco-AC) em conjunto com o Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, CIRAD (Centre de Cooperátion
Internationale em Recherche Agronomique Pour le Developpement,
França), CSL (Centre Science Laboratory/Inglaterra) e o NFA
(National Food Administration, Suécia) aprovaram um projeto
junto ao STDF para validar e transferir tecnologias para um
sistema de manejo efetivo e sustentável de prevenção e controle
de aflatoxinas.
A proposta foi desenhada com base nas orientações do Codex
Alimentarius, comissão ligada a FAO (Organização das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação), que dialoga com o
governo brasileiro e boliviano a respeito de normas específicas
para a castanha-do-brasil.
Os pesquisadores também levaram em conta a experiência acumulada
no Seringal Porvir, em Brasiléia (AC), onde há mais de cinco
anos tem sido desenvolvido estratégias para um sistema de
manejo, identificação dos pontos de contaminação e implementação
de processos que garantem a qualidade e a comercialização do
produto com preços diferenciados. Parcerias com o Governo do
Estado, Sebrae, Ecoamazon e cooperativas como Capeb, Caex e
Cooperacre permitiram que mais de 200 produtores adotassem
sistemas de boas práticas de produção de castanha no Acre.
Isso porque a aflatoxina é uma toxina produzida por fungos do
gênero Aspergillus que em altas concentrações tem efeitos
carcinogênicos e genotóxicos em seres humanos. Trata-se do maior
obstáculo na comercialização da castanha.
Agora, os pesquisadores Pernila Johnsson e Ann Gidlund, do
National Food Administration (Suécia), e John Banks, do Centre
Science Laboratory (Inglaterra), por intermédio do STDF, estão
na Embrapa Acre para realizar cursos de métodos rápidos de
análise de aflatoxina e análises de fungos produtores da toxina.
Os cursos são dirigidos a pesquisadores da Embrapa e da
Universidade Federal do Acre (Ufac) e também a técnicos das
Delegacias do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento do Acre e do Pará.
De acordo com a pesquisadora Cleísa Cartaxo Brasil, da Embrapa
Acre, a aplicação de métodos rápidos como o teste Elisa e o LFD
já são feitos em agroindústrias bolivianas, mas há incertezas
quanto a sua eficiência. “A partir desse treinamento,
pesquisadores e técnicos poderão aplicá-los em vários
seguimentos da cadeia produtiva e verificar a viabilidade e a
credibilidade dos resultados”. Os cursos serão feitos no
Laboratório de Tecnologia de Alimentos da Embrapa de 25 a 27 de
outubro. |