Brasília, Brasil
October 18, 2006
Aconteceu ontem, às 19 horas, no
Hotel Carlton, em Brasília, DF, a abertura do Curso
Internacional de Pré-Melhoramento de Plantas, que reúne até o
dia 27 de outubro, 140 participantes de 11 países
latino-americanos, incluindo o Brasil. O curso está sendo
promovido pela Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, em parceria com
o Procitrópicos/IICA (Instituto Interamericano de Cooperação
para a Agricultura) e a
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação–
FAO, com o objetivo de treinar e conscientizar a comunidade
científica para o uso dos recursos genéticos no melhoramento de
plantas em países latino-americanos, bem como divulgar
experiências de sucesso na produção de materiais genéticos de
espécies agrícolas com genes oriundos de suas raças locais e de
seus parentes silvestres.
A sessão de abertura contou com as presenças do representante do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Hellinton
José de Souza; do representante da Divisão de Plantas da FAO, em
Roma, Élcio Guimarães; do representante do IICA no Brasil, Jamil
Macedo; do assessor da Diretoria Executiva da Embrapa, Ederlon
Ribeiro, representando o Diretor-Presidente, Sílvio Crestana e
do Chefe-Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia,
José Manuel Cabral.
Durante a abertura, o representante da FAO, Élcio Guimarães
apresentou uma palestra na qual mostrou o panorama atual do
melhoramento genético vegetal nos países latino-americanos,
incluindo o número de melhoristas e de instituições dos setores
público e privado, com o objetivo de auxiliar os países na
definição de estratégias para incrementar a conservação e o uso
de seus recursos genéticos. “É preciso avaliar a relação entre a
demanda e a oferta de melhoristas nos países para auxiliá-los na
tomada de decisões políticas para fortalecer os programas de
melhoramento genético em nível mundial”, ressaltou Guimarães.
Pré-melhoramento de plantas: importante ferramenta
O pré-melhoramento de plantas baseia-se na caracterização de
materiais não adaptados (raças locais ou parentes silvestres das
espécies cultivadas) e na posterior incorporação de genes de
interesse localizados nestes materiais em cultivares elites. O
objetivo é aumentar a variabilidade genética vegetal de diversas
culturas agrícolas, como as de amendoim, mandioca, algodão,
entre outras.
Sementes dessas e de outras culturas encontram-se conservadas
nas câmaras frias da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia,
em Brasília, DF, a 20ºC abaixo de zero, onde podem ficar por
décadas. A Embrapa investe na conservação de espécies vegetais
desde a sua criação, na década de 70, com o objetivo de garantir
diversidade alimentar para as futuras gerações. Muitas dessas
sementes, por serem silvestres ou raças locais e estarem
adaptadas às condições ambientais brasileiras, possuem
características de resistência a doenças e pragas, que podem ser
muito importantes para programas de melhoramento genético, no
cruzamento com cultivares lançadas no mercado.
Programação do curso
Participam do Curso as seguintes unidades de pesquisa da
Embrapa: Recursos Genéticos e Biotecnologia; Hortaliças e
Cerrados, em Brasília, DF; Arroz e Feijão, em Goiânia, GO; Milho
e Sorgo, em Sete Lagoas, MG: Mandioca e Fruticultura Tropical,
em Cruz das Almas, BA; Algodão, em Campina Grande, PB; e Trigo,
em Passo Fundo, RS.
O curso será constituído por dois módulos, sendo que o primeiro
de 17 a 21 de outubro está sendo realizado em Brasília, com a
apresentação de palestras de conteúdos teóricos, atividades de
integração e compartilhamento de experiências. No segundo
módulo, de 23 a 27 de outubro, será ministrada a complementação
do treinamento de forma individualizada, quando o treinando irá
acompanhar, na prática, atividades de pré-melhoramento em
unidades de pesquisa da Embrapa ou de suas instituições
parceiras. |