Brazil
November 8, 2006
“Quando Nhanderu colocou o índio
na terra, já colocou plantas para sobreviver... Um dia, um índio
encontrou um lugar bem grande, um aberto na mata... o índio foi
lá no lugar que ele tocou fogo e encontrou os milhos nascendo.
Nasceu também melancia, nasceu abóbora, nasceu um monte de
coisa. Foi Nhanderu tupã que tinha derramado para ele. Eram as
plantas sagradas. Aí o índio começou a guardar e gerou outras
plantas, e essas nunca podem se perder”.
Essa lenda, contada pelo índio
Kuaray Mirim, da aldeia Ribeirão Silveira, no Estado do Paraná,
revela o carinho que os índios da etnia Guarani devotam às suas
sementes tradicionais. Considera-as “plantas sagradas”. Mas a
modernidade fez com que perdessem parte do seu tesouro sagrado.
Coube mais uma vez à Empresa
Brasileira de Pesquisa agropecuária, Embrapa, vinculada ao
Ministério da Agricultura, coletar, guardar e devolver esse
patrimônio aos Guarani, a exemplo do que ocorrera com os Krahô,
do Tocantins, que reencontraram seu milho tradicional nas
câmaras frias da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia na
década de 90.
Nos dias sete e oito de novembro,
cinco membros da comunidade indígena Mbya Guarany, da ilha de
Cotinga, município de Paranaguá, Paraná, visitarão três Unidades
da Embrapa em Brasília: Recursos Genéticos e Biotecnologia,
Hortaliças e Cerrados, acompanhadas do pesquisador da Embrapa
Florestas, Antônio Carlos Medeiros, que desenvolve o projeto
“Implantação de tecnologias em sistemas agroflorestais e
revitalização cultural em terras indígenas no Paraná”.
Sementes de Abóbora, moranga,
batata-doce, mandioca, inhame, pimentas, hortaliças e sorgo
sacarino estão entre as espécies identificadas por Medeiros,
como de interesse do grupo de indígenas, já que estão ligadas à
sua cultura. Além disso, eles conhecerão o sistema de
conservação de sementes a longo prazo e tecnologias ligadas ao
cultivo e manejo dessas plantas.
Depois de uma longa viagem de sua
aldeia até Brasília, alternando barco, ônibus e avião, os
Guarani serão colocados frente aos modernos métodos científicos
de conservação e produção. E descobrirão também que a Embrapa
pode ser uma forte parceira na preservação da sua cultura e na
alimentação do seu povo. |