Brazil
November 3, 2006
“Quando Nhanderu colocou o índio
na terra, já colocou plantas para sobreviver... Um dia, um índio
encontrou um lugar bem grande, um aberto na mata... o índio foi
lá no lugar que ele tocou fogo e encontrou os milhos nascendo.
Nasceu também melancia, nasceu abóbora, nasceu um monte de
coisa. Foi Nhanderu tupã que tinha derramado para ele. Eram as
plantas sagradas. Aí o índio começou a guardar e gerou outras
plantas, e essas nunca podem se perder”.
Essa lenda, contada pelo índio Kuaray Mirim, da aldeia Ribeirão
Silveira, no Estado do Paraná, revela o carinho que os índios da
etnia Guarani devotam às suas sementes tradicionais.
Consideram-nas “plantas sagradas”. Mas a modernidade fez com que
perdessem parte do seu tesouro sagrado.
Coube mais uma vez à Empresa
Brasileira de Pesquisa agropecuária, Embrapa, vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, coletar,
guardar e devolver esse patrimônio aos Guarani, a exemplo do que
ocorrera com os Krahô, do Tocantins, que reencontraram seu milho
tradicional nas câmaras frias da Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia na década de 90.
Na terça-feira(7) e na quarta-feira(8) , cinco membros da
comunidade indígena Mbya Guarany, da ilha de Cotinga, município
de Paranaguá, Paraná, visitarão três Unidades da Embrapa em
Brasília: Recursos Genéticos e Biotecnologia, Hortaliças e
Cerrados, acompanhadas do pesquisador da Embrapa Florestas,
Antônio Carlos Medeiros, que desenvolve o projeto “Implantação
de tecnologias em sistemas agroflorestais e revitalização
cultural em terras indígenas no Paraná”.
Sementes de Abóbora, moranga, batata-doce, mandioca, inhame,
pimentas, hortaliças e sorgo sacarino estão entre as espécies
identificadas por Medeiros, como de interesse do grupo de
indígenas, já que estão ligadas à sua cultura. Além disso, eles
conhecerão o sistema de conservação de sementes a longo prazo e
tecnologias ligadas ao cultivo e manejo dessas plantas.
Depois de uma longa viagem de sua aldeia até Brasília,
alternando barco, ônibus e avião, os Guarani serão colocados
frente aos modernos métodos científicos de conservação e
produção. E descobrirão também que a Embrapa pode ser uma forte
parceira na preservação da sua cultura e na alimentação do seu
povo. |