Brazil
July 18, 2006
O uso
inadequado das técnicas de combate às pragas da sojicultura, em
especial a lagarta da soja, além de aumentar o custo de produção
está colocando em risco um dos mais bem-sucedidos programas de
monitoramento integrado para a cultura. E o que é pior: já
provocou um retrocesso na área tratada com o baculovírus (o
inimigo natural da lagarta) de 750 mil hectares nos últimos três
anos. O alerta é do pesquisador da Embrapa Soja (Londrina-PR)
Flávio Moscardi, um dos conferencistas do Workshop Internacional
sobre Desenvolvimento da Agricultura Tropical, que se realiza
até esta quarta-feira 19/7), em Brasília.
Moscardi chamou a atenção dos cientistas para que reforcem a
importância da aplicação do programa de monitoramento integrado
de pragas, que atualmente tem um dos passos básicos usado de
forma errada. Isso porque os agricultores não fazem a avaliação
da incidência da lagarta na lavoura e, sem este dado
fundamental, passam a aplicar inseticida emergente de forma
empírica, numa fase em que a planta está pequena, comprometendo
a entrada do baculovírus. Esse equívoco provocou uma redução de
2 milhões de hectares na safra 2002/03 para 1,3 milhões de
hectares tratados com o baculovírus, desenvolvido pela
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária -Embrapa, vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Apesar da preocupação e da necessidade de retomar o passo a
passo correto para o programa, Flávio Moscardi diz que o Brasil
é referência mundial quando o tema é controle biológico. Segundo
ele, o uso de agentes para controlar naturalmente a broca da
cana-de-açúcar, a cigarrinha da cana, cigarrinha da pastagem,
pulgões na lavoura de trigo e a traça do tomateiro têm
representado economia e preservação do ambiente. Somente com o
manejo integrado de praga na soja a economia é muito maior do
que os 20 milhões de litros de inseticidas químicos ao ano que
deixam de ser usados, considerando o benefício social que a
tecnologia proporciona.
Outra recomendação de Moscardi é maior atenção dos produtores,
extensão rural e da própria pesquisa para pragas que surgiram
com o ambiente propiciado pelo plantio direto (técnica mais
utilizada no plantio de grãos). A umidade da palha, entre outros
fatores, desencadeia o surgimento de organismos (caracóis, por
exemplo) que prejudicam a produção. "Por isso precisamos estar
atentos para desenvolver técnicas para controlar esses problemas
que vão aparecendo e uma das medidas é a rotação de cultura",
recomenda o pesquisador. |