Brasília, Brazil
January 20, 2006
Eduardo Mamcasz, Repórter da Rádio Nacional via
Agencia Brasil
O chefe-adjunto de pesquisas e desenvolvimento da Embrapa-Soja,
João Flávio Veloso, afirmou no especial "Soja - um grande
negócio", transmitido pela Rádio Nacional que o envolvimento da
empresa com espécies transgênicas para uso na agricultura se
deve a uma "questão estratégica". Para ele, é importante que a
empresa pública tenha seus próprios genes a fim de dar "suporte
a este tipo de crescimento, em biotecnologia, para que se possa
acompanhar o crescimento agrícola brasileiro".
O chefe da Embrapa lembrou
também que o investimento do governo na pesquisa de espécie de
soja transgênica representará a "possibilidade de uma
independência biotecnológica, em matéria de genomas, no futuro,
a fim de manter a atual competividade da soja brasileira no
mercado internacional". Ele também citou entre outros motivos
para a Embrapa trabalhar nessa linha o fato de haver produtores
interessados em soja transgênica no Brasil.
Sobre a "novidade" da próxima colheita, com elevada quantidade
de soja transgênica, Flávio Veloso acha que isto decorre de uma
"questão de curiosidade". Nas próximas safras, segundo o
técnico, a soja transgênica vai ter que "provar a que veio" e,
principalmente, vai ter que mostrar realmente um ganho. Um risco
que ele vê para o processo é a possibilidade de o pagamento dos
direitos (royalties) ficar muito caro para o produtor,
que fará então uma avaliação econômica.
Numa projeção a longo prazo, o chefe de pesquisas da
Embrapa-Soja disse não acreditar que um dia o Brasil tenha 100%
de soja transgênica. Por esse motivo, ele lembrou que a empresa
nunca "direcionou o programa de pesquisas somente para a espécie
transgênica", embora, no momento, tenha 14 espécies próprias de
soja transgênica "já registradas e podendo atender pedidos dos
produtores". São do tipo resistente ao herbicida glifosato.
O "grande divisor" que, segundo João Flávio Veloso, marcou a
entrada da Embrapa na pesquisa de sementes de soja transgênica
foi em 1996 quando assinou um acordo com a multinacional
Monsanto para o "desenvolvimento de cultivares transgênicos".
Hoje, a Embrapa tem acordos com outras empresas estrangeiras,
inclusive uma japonesa, e mais oito parcerias com produtores
nacionais de sementes. Depois da descoberta, a empresa recebe
cerca de três por cento sobre o valor da semente como "direito
de uso da genética Embrapa".
Researcher says Embrapa invests in transgenic soybeans for
strategic reasons
In a special program, "Soybeans
- A Big Business," broadcast on Friday (20) by the Radio
Nacional, the deputy head of research and development at the
Embrapa (Brazilian Agricultural Research Company) Soybean Unit,
João Flávio Veloso, affirmed that the company's involvement with
transgenic species for agricultural use is prompted by a
"strategic consideration." In his view, it is important for the
government enterprise to have its own genes in order to give
"support to this type of biotechnological development, to keep
in step with the growth of Brazilian agriculture."
The Embrapa head also pointed out that the government's
investments in transgenic soybean research hold out the
"possibility of biotechnological independence in the future, in
the genomic sphere, to keep Brazilian soybeans competitive on
the international market." Among the other reasons he indicated
for Embrapa's efforts along these lines is the fact that there
are farmers in Brazil interested in transgenic soybeans.
As for the "novelty" of the upcoming harvest, with its high
percentage of transgenic soybeans, Veloso believes that this
reflects an attitude of "curiosity." In future harvests,
according to the researcher, transgenic soybeans will have to
"prove their worth," chiefly meaning that they will have to show
profits. One of the dangers he foresees in this process is the
possibility that royalty payments will wind up being very
expensive for farmers, who will be forced to make an economic
assessment.
In the long run, the head of research at Embrapa's Soybean Unit
said he does not believe that one day 100% of the soybeans in
Brazil will be transgenic. That is why the company never
"concentrated its research program exclusively on transgenic
species," although, at the moment, it has 14 transgenic species
of its own, "already licensed and ready to fill farmers'
orders." The species are of the type resistant to glyphosphate
herbicides.
The "great divide" that, according to Veloso, marked Embrapa's
entry into transgenic soybean seed research was in 1996, when it
signed an agreement with the multinational corporation,
Monsanto, for the "development of transgenic varieties." Embrapa
currently has agreements with other foreign companies, including
one from Japan, as well as eight partnerships with domestic seed
producers. For the varieties it discovers, the company receives
around three percent of what the seed costs in the form of
royalties for "the right to use Embrapa's genetic research."
Translation: David Silberstein |