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Melancia forrageira: alimentação alternativa para rebanhos
Brazil
February 21, 2006

Naturalmente, o fruto da melancia forrageira após maduro se conserva por mais de um ano sem perder suas qualidades nutricionais. O mais impressionante é que a conservação pode ser obtida com a manutenção do fruto amadurecido no próprio campo onde foi cultivado e sob o sol escaldante das áreas secas do Nordeste, sem qualquer necessidade de práticas sofisticadas de armazenamento.

Para os pesquisadores da Embrapa Semi-Árido (Petrolina-PE), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,  este tipo de melancia é um recurso alimentar essencial à criação pecuária da região. De origem africana, ela difere das melancias tradicionais comercializadas em supermercados e feiras livres, que possuem casca verde, polpa vermelha e são doces. A espécie forrageira, ao contrário, tem casca dura bastante resistente aos impactos e à deterioração, a polpa é branca e geralmente consistente, e apresenta baixo teor de sacarose o que a torna sem sabor.

Água – Nas propriedades, porém, faz a diferença. Durante a seca que ocorreu entre os anos de 1990 e 1994, a disponibilidade da melancia forrageira garantiu aos criadores a alimentação para manter os seus rebanhos sem a necessidade de vender animais a preços baixos ou gastar recursos elevados na transferência dos animais para locais distantes onde há forragens disponíveis.

Um hectare no sertão, a depender da quantidade e da distribuição das chuvas, pode chegar a produzir entre 25 e 30 toneladas de frutos. A estocagem da produção no próprio campo é barata e prática para conservar os frutos na época de seca. Contudo, se chover no período, pode ocorrer alguma perda provocada por fungos e bactérias que podem penetrar nos frutos juntamente com a água por meio de furos causados por animais, como ratos.

O pesquisador Francisco Pinheiro Lima Neto, da Embrapa Semi-Árido, destaca ainda que a composição química geral dos frutos da melancia forrageira pode ser considerada adequada, uma vez que os teores de proteína bruta e de minerais se assemelham aos níveis mínimos, constituintes da matéria seca das plantas forrageiras, exigidos pelos animais. Alguns elementos, como potássio e cobre, são encontrados em proporções muito superiores.

Esta espécie de melancia ainda manifesta tanto resistência ao oídio, como tolerância a vírus causadores de doenças que, comumente, provocam danos à melancia tradicional, o que proporciona redução de gastos no manejo do cultivo. Outra característica interessante dessa planta para os criadores, é a grande quantidade de água dos frutos, cerca de 90%. Em proporções adequadas pode, inclusive, chegar a suprir quase que integralmente a necessidade de água diária dos animais. E isto não é pouca coisa numa região como o semi-árido nordestino, enfatiza Pinheiro.

Ganho de peso e de leite – Segundo o pesquisador, os percentuais de proteína bruta e fibra bruta, bem como a digestibilidade /in vitro/ da matéria seca dos frutos e das sementes da melancia forrageira são comparáveis a iguais parâmetros observados nas folhas e nos frutos da algarobeira, no capim-búfel nas cultivares de palma forrageira, nas folhas e nas sementes de leucena e nas folhas de gliricídia. Portanto, é uma alternativa promissora para complementar a alimentação dos rebanhos no semi-árido nordestino.

Testes realizados na Embrapa Semi-Árido registraram que um grupo de novilhos pastejando exclusivamente capim-búfel durante 90 dias, no período seco, ganharam 26,5 kg de peso. Um outro grupo que tinha o pastejo complementado com 25 kg de melancia por dia engordou 33 kg.

Avaliações de desempenho com vacas de leite também demonstraram o valor da melancia forrageira como fonte de alimento. Conforme dados levantados por pesquisadores do centro de pesquisa junto a agricultores familiares, as vacas chegam a produzir entre 5 e 7 litros de leite por dia, quando têm sua dieta é complementada diariamente com 30 a 40 kg desta melancia. Este resultado é verificado mesmo quando o restante da alimentação das vacas é constituído por restos de cultura secos ou pastos de capim-búfel com níveis protéicos muito baixos, durante o período seco do ano.

Melhoramento genético – Introduzida no Brasil no período colonial da história do país, a melancia forrageira “naturalizou-se” e se disseminou por meio de cruzamentos com outras espécies de melancia. Atualmente, encontra-se na natureza uma grande quantidade de tipos. Os pesquisadores Francisco Pinheiro L. Neto, Rita Mércia E. Borges, Maria Auxiliadora C. Lima e Soraya T. Silva estão à frente de um grupo mais amplo de pesquisadores da Embrapa Semi-Árido que vão desenvolver um projeto de pesquisa, durante três anos, cujo objetivo é melhorar geneticamente uma população de melancia forrageira cultivada no Campo Experimental da Caatinga, pertencente ao centro de pesquisa.

Da referida população, 100 frutos de diferentes plantas serão coletados. O critério inicial dos pesquisadores para a escolha dos frutos será o tamanho. Em seguida, vão ser medidos, em cada um deles, atributos relacionados à produtividade, tais como o comprimento, a largura e a espessura da casca, além de outros caracteres associados à qualidade do fruto que são diretamente responsáveis pela composição e pelo valor alimentar.

Após a análise dos dados, os pesquisadores irão selecionar os 10 frutos com as melhores características, cujas sementes serão então semeadas em uma área isolada para que as novas plantas geradas não sejam polinizadas por grãos de pólen de uma outra população de melancia. Isoladas assim, as plantas originadas das sementes dos 10 frutos selecionados se cruzarão de forma aleatória, o que provocará a recombinação dos genes e permitirá a constituição de novos arranjos genéticos que serão responsáveis pela geração de plantas com características superiores.

O procedimento será repetido por duas ou mais gerações enquanto houver variação genética suficiente que possibilite a elevação dos parâmetros considerados nos objetivos do projeto de pesquisa. A partir da primeira seleção, o potencial de conservação dos frutos dos melhores indivíduos será avaliado mensalmente, sob temperatura ambiente.

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