Brazil
December 26, 2006
O florescimento precoce de
lavouras de soja em várias regiões do Paraná, Santa Catarina,
São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraguai, vem sendo acompanhado
por pesquisadores da
Embrapa Soja. Diversas lavouras têm apresentado
florescimento com 28 dias, quando em condições normais deveriam
florescer com pelo menos 40 dias, dependendo da região onde
estão sendo cultivadas. O florescimento antecipado
caracteriza-se pelo aparecimento de plantas florescidas com
pouca idade e pequena estatura.
“A soja tem dois fatores principais que induzem o florescimento:
o fotoperíodo (número de horas com luz a que a planta é
submetida) e a temperatura”, explica o pesquisador Antonio
Eduardo Pípolo, da Embrapa Soja. Normalmente, temperaturas mais
baixas reduzem o tamanho dos entrenós e retardam o
florescimento. Já as temperaturas mais altas antecipam o
florescimento, principalmente quando ocorrem associadas ao
estresse hídrico.
Na atual safra, o florescimento antecipado ocorreu em grande
área geográfica, principalmente em lavouras semeadas em torno do
dia 20 de outubro, com idade sensível à indução floral no início
do mês de novembro. O fato climático comum em toda esta região
foi a amplitude térmica verificada em novembro. “Neste mês,
principalmente após o dia 8, a diferença entre a temperatura
mínima e máxima do dia chegou a 17 graus, o que não é comum
nesta época do ano, e que provavelmente proporcionou o estresse
induzindo o florescimento”, explica Pípolo. Essa variação
térmica teria ocorrido em um estádio crítico, quando as lavouras
estão se estabelecendo, o que poderia ter desregulado o
mecanismo de florescimento, principalmente entre algumas
cultivares que se mostraram mais sensíveis ao problema. Ele
destaca também que, antes deste período, também foram
registradas altas temperaturas.
Segundo Carlos Arrabal Arias, pesquisador da Embrapa Soja, não
há como estimar com precisão o potencial de redução de
produtividade. “Algumas lavouras foram replantadas e as que não
foram ainda podem se recuperar, se houver boa distribuição de
chuvas”, explica. Para os produtores que sofreram o problema, o
pesquisador recomenda atenção no controle de plantas daninhas na
entrelinha, que podem não se fechar completamente.
O Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja, Alexandre
José Cattelan, complementa que, além dos fatores climáticos e da
interação desses com os diferentes genótipos de soja, é possível
que o uso de agrotóxicos inadequados, o mau manejo do solo e
desequilíbrios nutricionais possam ter contribuído para o
agravamento do quadro. A Embrapa Soja continuará monitorando
essas áreas para verificar a evolução do problema. |