A produção nas lavouras de soja
pode ficar comprometida, caso os agricultores insistam em usar
sementes transgênicas não certificadas na safra 2006/2007. A
queda hoje de 20% na produtividade, também corre risco de ter um
índice ainda maior, pois está relacionada à falta de
certificação do material genético utilizado. O alerta é do
pesquisador José Roberto Rodrigues Peres, gerente geral da
Embrapa Transferência de Tecnologia (Brasília-DF), unidade da
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, vinculada ao
Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O tema vai
pautar uma reunião na Expointer 2006, em Esteio, no Rio Grande
do Sul, e Peres defenderá a não edição de uma nova Medida
Provisória (MP) liberando o cultivo deste tipo de insumo.
No debate com representantes do
setor e especialistas da Embrapa e MAPA, nesta quinta-feira
(31), no pavilhão da agricultura familiar do Parque Assis
Brasil, o pesquisador demonstrará as desvantagens que a reedição
da MP acarretará ao setor (veja quadro sobre a determinação no
ano passado), ao legalizar o plantio de soja transgênica no
atual ano agrícola. Entre os pontos negativos do uso de material
sem certificação (e com origem completamente desconhecida) o
pesquisador enumera a desestruturação do negócio brasileiro, a
redução na produtividade, a degeneração genética das cultivares
e o conseqüente enfraquecimento da indústria nacional de
sementes.
Segundo José Roberto Peres,
este ano a Embrapa e parceiras investiram nada menos do que R$ 8
milhões na produção de sementes certificadas. A Empresa fechou
1378 contratos para licenciar a produção de material
certificado. “Estes parceiros, que incentivam programas de
pesquisa com certeza ficarão desestimulados para novos
investimentos”, avalia Peres.
O que diz a MP 223/04
No ano passado o Congresso
aprovou a Medida Provisória (MP) 223/04, que liberou o plantio
e a comercialização da safra de soja transgênica de 2005. A
proposta isentava os plantadores de apresentarem licenças
ambientais e de fazerem o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente
(Rima), mas vedava a comercialização dos grãos geneticamente
modificados da safra 2004.