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Discurso do diretor-presidente, Silvio Crestana, no 33° aniversário da Embrapa
Brazil
April 27, 2006

Na noite desta última quarta-feira, dia 26 de abril, durante a solenidade de comemoração do 33° aniversário da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o diretor-presidente da Embrapa, Silvio Crestana, anunciou ações que vão ampliar a imagem da Embrapa no exterior e que vão criar novas formas de captação de recursos para desenvolvimento de novos trabalhos. Confira a íntegra do discurso:

"Abril é um mês caro à memória sensorial do povo brasileiro. É quando o outono se torna mais insinuante e saboroso pelos contrastes das aragens frias no ensolarado das manhãs, do amarelo no verde das laranjas e mexericas, e da acidez que lhes aviva o doce. Para nós, abril é colheita. É quando celebramos a criação dessa Embrapa apaixonada pelo Brasil, entregando as nossas melhores soluções tecnológicas.

Mas, a colheita desse abril é diferente. Na semana passada, a Embrapa foi distinguida com a Insígnia Ordem do Rio Branco, por sua cooperação internacional. Ato generoso do Corpo Diplomático Brasileiro e do ministro Celso Amorim, que, sensibilizados, agradecemos. Honraria ainda maior porque também concedida a um dos maiores embaixadores da capacidade tecnológica brasileira, o pai da aviação Alberto Santos Dumont.

Mas, há muito mais. Numa afirmação de nossa ambição científica,  o tenente-coronel Marcos Pontes e a espécie arbórea tropical - o gonçalo-alves - foram ao espaço. Ainda no campo aeronáutico, o Ipanema, o avião agrícola a álcool, da Embraer, foi eleito pela revista Scientific American como uma das 50 maiores invenções do século XX.

A Petrobrás nos deu a tão sonhada auto-suficiência na produção de petróleo, resultado das pesquisas do Cenpes, nas águas profundas, e da agricultura, com o álcool combustível. Conquista que veio, não por acaso, no dia 21 de abril, quando celebramos a Inconfidência Mineira e a criação de Brasília, dois dos mais corajosos atos de soberania e de empreendedorismo do povo brasileiro.

Portanto, há mais do que coincidências nesses frutos de abril. Há a aspiração, a cultura e a história do empreendedorismo brasileiro, onde se destacam a aliança entre o público e o privado e a sinergia que a inovação promove entre a agricultura e os outros setores da economia.

Assim é a história do Banco do Brasil. Criado em 1808 e extinto em 1833 como ente público, foi reorganizado em 1851 como ente privado pelo Barão de Mauá. Em 1905, já o esteio do fomento agrícola e industrial do país, torna-se a vitoriosa parceria pública e privada que conhecemos.

Assim é a história de Santos Dumont, cujo pai fêz-se fazendeiro de cinco milhões de pés de café e usou essa riqueza para educá-lo em Mecânica, que era sinônimo de inovação tecnológica de então. Nisso, ele via futuro. Aí, a nossa agricultura já financiava o futuro. Deu ao mundo asas para voar.

O caso do petróleo é emblemático. Precursor da campanha "O petróleo é nosso", Monteiro Lobato pregava uma solução unicamente privada, sem nada do Estado. Lobato acreditava em maniqueísmos e dicotomias. Com o Jeca Tatu, ajudou a criar o mito de que a agricultura era o atraso, e as cidades, a modernidade. Foi contrariado tanto no caso do petróleo como da agricultura

Getúlio Vargas criou a Petrobrás dentro do Estado. O primeiro poço, no Recôncavo Baiano, foi perfurado sob os auspícios de um ministério que cuidava de agricultura e de minas e energia. A Petrobrás é esse exemplo de instituição, onde convivem o público e o privado. O Jeca Tatu é hoje o global player na arena de Barretos e na Bolsa de Chicago.

Getúlio, só lembrado pelos direitos trabalhistas, também semeou inovação tecnológica e econômica. Criou a Companhia Siderúrgia Nacional, a Vale do Rio Doce, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e o CNPq, sempre presentes no crescimento do Brasil.

JK encontrou nossa aspiração empreendedora e libertária, com José Bonifácio na Constituição de 1821. Além da industrialização do Brasil já conhecido, com a criação da nova capital em Goiás criou um novo ciclo bandeirante, para desenvolver o Brasil a ser descoberto. Mudou o eixo do desenvolvimento para o interior. Nos fêz seguir as pegadas de Rondon e encarar os cerrados de frente.

Deixou clara a sua opção por investir no tripé Energia, Agricultura e Engenharia, para romper o subdesenvolvimento, com uma estratégia conhecida: inovação tecnológica e parcerias público-privadas. Para tanto, rompeu com o FMI, conciliou-se com inimigos e perdoou insurreições.

Os Governos Militares retomaram o mote da inovação e do papel do Estado no avanço da Agricultura, Energia e Engenharia e, escoltados por visionários como Alysson Paolinelli, Cirne Lima e Reis Velloso, também driblaram as inconveniências dos acordos com o FMI.

Criaram e fizeram vingar, entre outras, a Itaipu Binacional, a Finep, a Embraer e a Embrapa. O presidente Geisel, que ajudara a consolidar a Petrobrás, sabia o que era vital e sinalizava o seu apoio pessoal à modernização agrícola. Enfrentando a era das crises de energia, usaram a continuidade para ampliar as reformas iniciadas por seus antecessores.

Como sabemos, algumas dessas organizações permanecem públicas, outras se tornaram privadas. O que importa é que o Brasil cresce no interior e nas capitais, na agricultura, na indústria e no comércio, movido em boa parte pelo elevado grau de inovação e empreendedorismo que implantou na agricultura, na energia e engenharia.

Há lições cruciais a serem aprendidas. A primeira e mais importante delas é a de que é preciso respeitar e se valer da nossa cultura de empreendedorismo e soberania. Todos os que realizaram grandes obras na construção desse Brasil moderno assim o fizeram, independente de suas orientações ideológicas.

A segunda lição, talvez mais óbvia, mas não menos importante, é que a colheita desse outono não foi plantada nesse verão. Ela é possível hoje porque foi prevista e semeada há 30, 50, 200 anos atrás. Não temos o direito de falhar a semeadura que vai nos dar um futuro melhor.

A terceira lição é a de que é um erro apostar no divisionismo das falsas dicotomias. Sempre que o fizemos, não crescemos. Ficamos menores. Não temos que escolher um em prejuízo do outro, o público contra o privado, o campo ou a cidade, o familiar ou o empresarial.

Devemos escolher todos. O Brasil grande, forte e generoso, que estamos construindo, precisa de paz e prosperidade em todas as suas regiões, em todos os seus empreendimentos. Precisa que todas as nações, sobretudo as do Mundo Tropical, cresçam e sejam felizes.

E, para tanto, esse Brasil precisa que o Estado e o Setor Privado sejam ambos fortes e parceiros. Pois, entre um e outro está o cidadão, estão os excluídos, e todos dependem desse equilíbrio de forças para que seus direitos sejam respeitados e garantidos.

A Pesquisa Agropecuária do Brasil se sente confortável com o seu papel porque sempre acreditou nesse ideário. Nunca excluímos ninguém, pois nos pautamos pelos problemas que a sociedade prioriza e buscamos suas soluções. É o que serve ao Brasil.

Para a agricultura familiar, a quem já entregamos mais de 1000 tecnologias em 5 anos, nesse momento temos mais de 240 projetos. Num deles, com a CONAB e os ministérios do Desenvolvimento Social e Agrário, vamos ajudar 70 mil famílias a produzir as sementes certificadas que precisam, e vamos chegar a 200 mil famílias. Na Amazônia, trabalhamos firme no ordenamento, monitoramento e gestão de territórios como as margens das BR-163 e BR-319; no manejo, valoração e valorização da floresta, e buscando opções sustentáveis para o uso de áreas já desmatadas.

Como diz o ministro Roberto Rodrigues, a agricultura, por tudo que enfrenta da semeadura à colheita, é um milagre que acontece porque é uma parceria entre Deus, todos os homens e a natureza. Se Deus elegeu a todos, porque iríamos nós, da ciência, excluir alguém?

Essa clareza de visão colhemos na sintonia fina que existe entre a Embrapa, o MAPA e todo o Governo. Devemos isso à liderança segura e esperançosa do ministro Roberto Rodrigues a quem rendo minhas homenagens e peço o aplauso de todos.

Tudo o que apresentamos aqui nessa noite e nessa edição do Ciência para a Vida - as tecnologias, os acordos e convênios, as premiações, bem como as parcerias de longa data com o setor privado, com os ministérios da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social, da Integração Nacional, do Meio Ambiente, do Planejamento, das Minas e Energia, da Indústria e Comércio, com o Congresso Nacional, com os movimentos sociais e com nações de todos os continentes, atestam a nossa obediência a esse credo.

O Presidente Lula conhece bem essas lições e revela sabedoria e sensibilidade dignas de todos os grandes líderes do passado. O seu governo também será lembrado por nos dar os marcos legais para essa empreitada. Aí estão a Lei das Parcerias Público Privadas, a Lei de Inovação e a Lei de Biossegurança, cuja implementação encontrou nos ministros Paulo Bernardo, Eduardo Campos e Sérgio Rezende timoneiros criativos e incansáveis.

Atento ao presente e arquitetando o futuro, o presidente Lula e o ministro Roberto Rodrigues pediram à Embrapa que cuidasse da questão da agroenergia. Pediram também que levássemos nossas tecnologias para a África, pois sentem que é simplesmente justo e humano que devolvamos um pouco de tudo aquilo o que um dia recebemos em sangue, suor, cultura e alma para a formação da nação brasileira.

Fizemos o nosso dever de casa. Estamos prontos para instalar, com o apoio e orientação dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Embrapa África. É hora de refazer o histórico Caminho das Índias, em sentido contrário, gerando negócios e desembarcando a gratidão do povo brasileiro no coração do grande continente africano.

Estamos prontos também para apoiar o Governo, os movimentos sociais e o setor privado no grande programa de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, para a produção de alimentos, de fibras, de energia, de créditos de carbono.

Estamos prontos para criar a Embrapa Agroenergia - com o apoio decisivo do Ministério da Ciência e Tecnologia e dos Fundos Setoriais - e integrar o Consórcio Brasileiro de Agroenergia. E também para constituir a primeira sociedade de propósito específico em agroenergia, em conformidade com a Lei de Inovação. Creio que não vão se surpreender quando lhes disser que os potenciais sócios da Embrapa nessa empreitada são nada menos que o Banco do Brasil, o BNDES, a Companhia Vale do Rio Doce, a Itaipu Binacional e a Petrobrás, todos extremamente empenhados em fazer desse sonho uma realidade.

Temos pois muito a agradecer. Primeiro aos empregados da Embrapa, de hoje e de ontem, por nos darem sempre a confiança de que a tarefa será cumprida. Depois aos nossos parceiros, no Governo, no setor produtivo e na sociedade brasileira e nos países amigos, por serem o nosso apoio e a nossa inspiração. Tudo o que conseguimos fazer vem dessa comunhão de propósitos.

Creio que todos compreendem agora porque temos lutado tanto pela revitalização e fortalecimento da Embrapa e do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, nos planos federal e estadual. Temos pleiteado um novo plano de carreiras e de seguridade complementar para termos condições de atrair e manter os melhores talentos científicos. Não o fazemos somente pelos que estão aqui hoje, mas sobretudo pelos jovens que virão para garantir o nosso futuro.

Precisamos também de maior flexibilidade para honrar as grandes parcerias a serem feitas com os movimentos sociais e o setor privado. Sabemos que há  dificuldades. Mas sabemos também do empenho de Vossa Excelência e dos ministros Paulo Bernardo, Dilma Roussef, Guido Mantega, Sérgio Rezende e Roberto Rodrigues e de suas assessorias para superá-las, e queremos agradecer-lhes por isso.

Temos que agradecer em especial ao Congresso Nacional por sua compreensão desse ideário e todo o seu empenho em nos ajudar nesse trabalho de revitalização. E, para tranqüilizar a todos quanto ao acerto dessas decisões, quero lembrar que cada real investido em inovação agrícola rende ao Brasil outros 14 reais.

Por isso aguardamos esperançosamente a decisão e o comando do presidente Lula, para encararmos todos esses desafios e estarmos assim à altura da grandeza dos destinos do Brasil.

Muito obrigado a todos."

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