Brazil
September 14, 2005
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As pesquisas indicam que
as cultivares BRS-Milênio e BRS-Urubuquara são 25% mais
produtivas que a média regional |
As
sementes das duas cultivares de feijão-caupi que foram lançadas
no dia 14 de setembro, no município de Tracuateua - PA, pela
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento , estarão disponíveis aos
produtores paraenses a partir do início do próximo ano.
Até chegarem aos produtores de grãos e ao prato do consumidor
final, as sementes geradas pela Embrapa passam por três fases de
um trabalho integrado entre diferentes unidades da empresa.
As sementes básicas das cultivares BRS-Milênio e BRS-Urubuquara
estão, no momento, em fase de multiplicação no Escritório de
Negócios de Petrolina - PE, vinculado à Embrapa Transferência de
Tecnologia (Brasília - DF).
O engenheiro agrônomo Manoel da Silva Cravo, da Embrapa Amazônia
Oriental (Belém - PA), um dos responsáveis pela pesquisa, lembra
que o lançamento oficial das cultivares acontece nesta época
porque o momento é ideal para a observação dos resultados da
pesquisa no campo.
“No dia de campo de lançamento, os participantes vão poder
observar diferentes estágios de desenvolvimento das cultivares,
bem como perceber a diferença entre cultivos realizados sem e
com adubação do solo”, diz ele, informando que a fertilização da
terra é essencial para o bom desempenho das lavouras nos solos
enfraquecidos do Nordeste Paraense.
Produção de sementes
O pesquisador Francisco Rodrigues Freire Filho, especialista em
melhoramento genético e responsável pela pesquisa no âmbito da
Embrapa Meio-Norte (Teresina - PI), explica que, na primeira
fase, são geradas sementes genéticas, mantidas em estoque, não
vendáveis, resultantes diretamente dos experimentos científicos.
No caso das cultivares BRS-Milênio e BRS-Tracuateua, foram cinco
anos de pesquisa, numa parceria entre Embrapa Meio-Norte e
Embrapa Amazônia Oriental, com apoio decisivo de produtores de
sementes dos municípios paraenses de Tracuateua e Augusto
Corrêa.
Em uma segunda etapa, a Embrapa produz sementes básicas
(provenientes das genéticas), vendidas aos produtores de
sementes através de contrato específico e com pedidos
antecipados.
Para terem acesso aos estoques de sementes básicas, os
produtores de sementes precisam ser registrados no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e cadastrados como
produtores-parceiros junto à Embrapa Transferência de
Tecnologia.
Por fim, as sementes certificadas são produzidas pelo setor
sementeiro e vendidas aos agricultores. Estes, tendo acesso a
sementes de procedência comprovada, podem ter colheitas mais
rentáveis e produzirem grãos de melhor qualidade para o
consumidor final.
Benefícios da tecnologia
As pesquisas indicam que as cultivares BRS-Milênio e
BRS-Urubuquara são 25% mais produtivas que a média regional,
facilitam a mecanização e uniformizam a produção, garantindo um
produto final de melhor aparência e qualidade, atraente e
nutritivo ao consumidor.
Para o engenheiro agrônomo Benedito Dutra Luz de Souza, produtor
de sementes de Tracuateua e parceiro da Embrapa na pesquisa que
gerou as cultivares, a BRS-Milênio e a BRS-Urubuquara tendem a
impulsionar o agronegócio do feijão-caupi no Nordeste Paraense,
onde a cultura está em expansão, inclusive com incorporação de
mecanização.
“Há 20 anos os produtores locais estavam sem acesso a novas
sementes adaptadas às condições de solo e clima regionais, que
pudessem garantir aumento de produtividade e uniformidade da
produção”, ressalta Benedito Dutra.
Para outro produtor parceiro da Embrapa nessa pesquisa,
Francisco Douglas Rocha Cunha, do município de Augusto Corrêa,
uma grande vantagem das novas cultivares é poderem ser
utilizadas tanto por agricultores familiares (a grande maioria
dos produtores de feijão-caupi) quanto por agricultores
empresariais - estes em expansão na Região Bragantina, onde o
pólo produtivo do grão no Pará está concentrado. |