Brazil
October 27, 2005
Objetivo é encontrar genes que
conferem resistência à seca
Embrapa e
universidades decidiram se unir para estudar o genoma de quatro
leguminosas: soja, feijão, feijão-caupi e amendoim. O trabalho
será desenvolvido, inicialmente, em parceria entre a
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); Universidade da
Califórnia, EUA; Universidade Católica de Brasília; Universidade
Federal de Pernambuco e o Centro de Energia Nuclear na
Agricultura (CENA/USP)
O estudo tem como objetivo principal encontrar os genes que
conferem resistência à seca a todas essas espécies. A seca é,
sem dúvida, um dos piores problemas enfrentados no Brasil,
especialmente na cultura de soja no Rio Grande do Sul, que é a
principal região produtora do país, onde causou perdas
superiores a 70% na safra de 2005.
O início dessa parceria foi selado com a realização de uma
reunião técnica na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
(Brasília – DF) nos dias 17 e 18 de outubro, que contou com a
participação de representantes de todas as instituições
envolvidas. Agora, só falta buscar as fontes financiadoras para
viabilizar o desenvolvimento das pesquisas, como explica a
pesquisadora Cortopassi Buso.
Segundo ela, dessa vez, o trabalho será desenvolvido de maneira
diferente dos outros estudos de genoma já realizados pela
Embrapa, que deram origem aos bancos de dados de café e banana,
com 200 mil e 40 mil seqüências de DNA, respectivamente.
No caso das leguminosas, como já existem muitas informações
levantadas em nível mundial, os cientistas vão partir da análise
de bancos de dados públicos de DNA para buscar as semelhanças
entre as quatro espécies. O objetivo principal é encontrar o
gene de resistência à seca, mas provavelmente, aparecerão outras
características de interesse para o melhoramento genético dessas
leguminosas no Brasil, como resistência a doenças, dentre
outras.
Segundo a pesquisadora, o primeiro passo será reunir todas as
informações existentes hoje sobre soja, feijão, caupi e
amendoim. Depois, baseados em mapas genéticos de referência já
existentes destas espécies, serão desenvolvidos marcadores
moleculares comuns a todas elas, denominados marcadores–âncoras
para serem acrescentados aos mapas já existentes.
“O trabalho será concentrado na busca de marcadores
microssatélites, que são seqüências que aparecem repetidamente
no genoma como um todo, e de marcadores ESTs, que são marcadores
de genes expressos, ou seja, obtidos a partir de uma
característica que se quer estudar”, afirma Gláucia.
A diferença é que os marcadores microssatélites são seqüências
de DNA freqüentes no genoma que permitem diferenciar um
indivíduo do outro a partir do número de repetições. Já os ESTs
são freqüências expressas geradas a partir de um estímulo
pré-determinado, como resistência à seca, por exemplo.
Gláucia explica que o objetivo final é formar um mapa genético
das quatro leguminosas com o maior número de destes marcadores
possível. “O objetivo é encontrar marcadores que tenham
aplicação prática imediata nos programas de melhoramento
genético dessas espécies”, ressalta ela, lembrando que
brevemente será disponibilizada uma página na Internet para
tornar públicos todos os resultados alcançados ao longo das
pesquisas. |