Uma missão constituída por três
pesquisadores da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) segue para a
China no dia 20 próximo para implementar acordo de cooperação
técnica na área de genômica e recursos genéticos, assinado ano
passado entre a
Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS - da sigla em
inglês) e a Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento.
Segundo o pesquisador Alexandre
Nepomuceno, da Embrapa Soja (Londrina - PR), que integra a
missão, a maior interação científica entre Brasil e China na
agropecuária, neste primeiro momento, vai se dar com o
desenvolvimento de projetos voltados para a permuta de recursos
genéticos de várias espécieis vegetais, além de biotecnologia de
algodão e de soja, inclusive com a elaboração de projeto
conjunto de genômica da soja. No entanto, a equipe estará atenta
às diferentes áreas de pesquisa que mereçam a construção de
projetos.
Juntamente com Nepomuceno, os
pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
(Brasília - DF), Luciano Lourenço Nass e Maria de Fátima
Grossi de Sá, permanecem na China até o dia 18 de junho,
cumprindo agenda que inclui participação em grupos de trabalho e
visitas a institutos de pesquisa e universidades, nas cidades de
Anyang, Nanjing, Guangzhou, Wullumuqi e Beijing (antiga
Pequim).
O acordo técnico que será
implementado pelos três pesquisadores vinha sendo costurado
desde 2003 quando a empresa recebeu a visita de missões
chinesas e membros da diretoria executiva e pesquisadores da
Embrapa estiveram na China para levantamento de possibilidades
de ações conjuntas. Ao final da etapa de prospecção, em maio de
2004, em Beijing, foi assinado o acordo entre a Embrapa e o
CAAS, prevendo cooperação nas áeas de recursos genéticos
vegetais, melhoramento e biologia avançada.
Estratégico
“Pretendemos construir uma
sólida cooperação com a China, um país emergente como o Brasil e
num estágio de desenvolvimento científico similar ao nosso.
Nesse sentido, a ação da Embrapa na China é estratégica para o
governo brasileiro”, afirma Geraldo Eugênio, diretor-executivo
da Empresa . Para dar uma idéia do que pode significar a
cooperação científica com a China, o diretor lembra que o
intercâmbio de germoplasma bovino feito há cerca de um século
com a Índia é o que, ainda hoje, rende dividendos à pecuária
brasileira.
O coordenador de Cooperação
Internacional da Embrapa, Sebastião Barbosa, entende que o
trabalho que se inicia com a missão que segue dia 20 para a
China pode ser o embrião de uma versão, na Ásia, do Laboratório
Virtual da Embrapa no Exterior (Embrapa Labex). Atualmente a
Empresa conta com dois deles, Embrapa Labex Estados Unidos e
Embrapa Labex Europa (França e Holanda). Barbosa destaca que a
cooperação com a China pode significar ganhos para a pesquisa
agropecuária de ambos os países.