Brasília, Brasil
March 20, 2005
Lílian de Macedo
Repórter da Agência
Brasil
Estudos feitos pela Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Milho e Sorgo
comprovam a eficiência de um inseticida formulado à base da
bactéria Bt (BacillusThuringiensis) que, inserida no milho, mata
a lagarta-do-cartucho. De acordo com o pesquisador Fernando
Valicente, coordenador da pesquisa, a expectativa é de que entre
dois anos a empresa conclua os estudos sobre o transgênico.
Valicente conta que o objetivo é diminuir a quantidade de
inseticidas químicos usados no combate à lagarta. "Alem de
eficaz, este método é muito mais barato do que acrescentar
produtos químicos nas lavouras", ressalta.
A bactéria, usada como base para o inseticida, foi cultivada em
arroz esterilizado. O custo de produção, de acordo com
Valicente, foi de aproximadamente R$ 0,07 por hectare. Mas
existe outra possibilidade de cultivo ainda mais barata. Outro
método, que ainda está em teste, é o cultivo da Bt em adubo
orgânico. Ou seja, em um líquido gerado por meio de esterco
suíno. "Os primeiros resultados, feitos em laboratórios, são
animadores", comemora Valicente.
Outro estudo sobre transgenia do milho está sendo desenvolvido
pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisa
pretende transformar os grãos em medicamento para aves. De
acordo com a pesquisadora Urara Kawazoe, a intenção é criar uma
espécie de vacina produzida no grão que evite a coccidiose
aviária, doença que causa perda de peso em frangos e que gera um
prejuízo de mais de R$ 60 milhões por ano para os avicultores
brasileiros.
Este anticorpo já se mostrou eficiente no combate a outra praga:
ele impede o crescimento do fungo aspergillum, que ataca
o grão estocado. "Nosso próximo passo é identificar o gene que
codifica a produção da toxina no milho", conta Urara.
Além de evitar a proliferação de doenças em plantas, o milho
transgênico também pode representar uma ajuda no combate a
doenças, como a diabetes. Os pesquisadores da Unicamp Everson
Alves e Cristiane Farinas, participaram do desenvolvimento do
processo de extração da pró-insulina humana recombinante
produzida no interior do milho transgênico. Isso pode
representar uma redução no preço do hormônio, cotado em US$ 100
mil o quilo. "Ao otimizar a extração da pró-insulina, a
tendência é que as fases subseqüentes para a obtenção dos
cristais de insulina sejam facilitadas", acreditam os
pesquisadores.
Eles também fazem questão de destacar os benefícios das
pesquisas feitas com vegetais transgênicos. Os pesquisadores
contam que, a principal é o custo. "É muito mais barato
desenvolver elementos em uma planta do que um animal", explicam.
Outro aspecto é que as substâncias originárias das plantas são
muito mais seguras do que as de uma bactéria. "Não há indicação
de que causem alguma doença ao homem", sintetizam. |