Brasil
March 2, 2005
Com o aumento
do número de focos da ferrugem asiática, que já atinge 12
estados brasileiros (MT, PR, RS, MA, GO, MS, SP, SC, DF, TO, RO,
BA), os sojicultores precisam adotar medidas eficazes de
controle e prevenção. O pesquisador da
Embrapa
Cerrados(Planaltina-DF), Plínio Itamar de Mello de Souza,
explica que as medidas para controlar a doença envolvem o
controle genético, cultural e químico.
A queda prematura das folhas é uma das
características da infecção pelo fungo Phakopsora pachyrhizi,
causador da ferrugem. O primeiro sintoma é o amarelecimento das
folhas. Quanto mais cedo ocorrer a desfolha, menor será o
tamanho dos grãos e, conseqüentemente, maiores as perdas de
rendimento e qualidade. O controle genético ocorre a partir do
desenvolvimento de materiais resistentes, ou seja, variedades
resistentes à doença.
Para fazer o controle cultural deve-se seguir
algumas orientações. A primeira é evitar a monocultura de soja,
pois a proliferação de fungos, insetos, doenças e pragas será
maior. O espaçamento entre linhas deve ser igual ou superior a
45 metros, pois quando as plantas estão muito próximas há maior
dificuldade de penetração dos fungicidas nas camadas inferiores
da planta.
Também é importante, de acordo com o pesquisador
da Embrapa Cerrados, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, vinculada ao Ministério do Agricultura, Pecuária e
Abastecimento. seguir a época correta de semeadura, não permitir
o desenvolvimento de “soja guaxa” ou “tiguera” e a ocorrência de
desequilíbrio nutricional da planta. Na opção pelo controle
químico, deve-se começar a monitorar o estádio vegetativo e
observar as folhas. Quando o plantio é tardio, o monitoramento
deve ser quase que diariamente para que a aplicação do fungicida
seja feita imediatamente à detecção da doença, pois quanto mais
tarde maior a pressão do inóculo.
Resistência às pragas
A segunda praga que mais preocupa na cultura da
soja é o nematóide de cisto, que começou a atacar as lavouras em
1992. A praga ataca a raiz da soja, prejudica o crescimento e
provoca a morte da planta antes de completar o ciclo. O programa
de melhoramento da soja desenvolvido pela Embrapa Cerrados
lançará, na próxima safra, a cultivar Raíssa, resistente ao
nematóide de cisto.
Outras cultivares lançadas pela Embrapa Cerrados
que terão sementes disponibilizadas para os produtores são a
Indiara e a Raimunda. Ambas são resistentes ao nematóide de
galha. O nematóide de galha, assim como o de cisto, ataca a raiz
da planta. A identificação da doença é feita pelas folhas, ficam
com manchas, e as raízes com galhas. Além de resistentes aos
nematóides, essas cultivares produzem, pelo menos, 5% acima das
variedades mais plantadas no país, que são a Conquista, Pintado
e Sambaíba.
Nos anos de 2000 a 2003, as cultivares lançadas
pela Embrapa Cerrados tiveram um aumento de 14,4% de
produtividade. Isso pode representar um ganho genético de até
3%, superior aos Estados Unidos que é de 1%. O programa de
pesquisa de soja da Embrapa tem a finalidade de lançar
variedades mais produtivas e estáveis, tolerantes aos obstáculos
ambientais, resistente às pragas e doenças e com alta qualidade
de semente.
O tempo de
pesquisa, para o lançamento de uma cultivar varia de 7 a 8 anos.
O pesquisador Plínio de Sousa estima que tenha sido gasto um
valor entre 500 a 1 milhão de dólares na pesquisa para cada
cultivar. O custeio é feito pela iniciativa privada, a partir
do convênio com o Centro Tecnológico para Pesquisa Agropecuária
(CTPA), formado por produtores de sementes. |