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Pesquisas diminuem custos e melhoram rendimento nas lavouras de arroz irrigado
Brasil
January 28, 2005

Com a perspectiva  de diminuir os custos  com adubação da lavoura e lançar novas cultivares com potencial superior ou igual às já existentes de arroz irrigado, a  Embrapa Roraima(Boa Vista-RR), Unidade da  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, montou experimentos com 500 materiais, sendo destes 30 em fase final de avaliação, dos quais devem sair uma ou mais cultivares melhoradas geneticamente.

As pesquisas estão sendo desenvolvidas no Campo Experimental da Várzea, localizado na Cidade Santa Cecília no município do Cantá, e em unidades demonstrativas implantadas na fazenda Paraíso implantadas em parceria com a Agroindústria Arroz Faccio.

A sociedade poderá ver estes trabalhos por meio de dia de campo que deverá acontecer em março ou por visitas as áreas.Este ano, os produtores roraimenses terão acesso a uma nova variedade que será lançada pela Empresa.

Estão sendo testadas para recomendação as cultivares BRS Jaburu e BRS Biguá, que apresentam potencial produtivo de 10.000 kg/há, correspondendo a 200 sacas, e alta resistência a brusone. Isto significa, segundo o pesquisador da Embrapa Roraima, Roberto Medeiros, diminuir  o custo de produção pois,  elimina a necessidade do uso de fungicidas e, conseqüentemente reduz o impacto ao meio ambiente.

Nesta mesma linha de trabalho,  estão sendo testadas várias novas linhagens promissoras, que foram desenvolvidas com base em trabalhos de melhoramento genético realizados no Estado como as RR-9025, RR-9018, RR-111, RR-113, RR-8070 e duas linhagens com grãos do tipo "Japônica" que são arredondados e pegajosos quando cozidos e direcionados à culinária oriental, que acredita-se possam a vir ocupar nichos de mercado mais específico.

Com relação ao manejo da cultura do arroz irrigado, Roberto Medeiros explica que estão se testando dosagens diferenciadas em cada parcela do experimento para que se consiga obter  adubação adequada a ser recomendada aos produtores e, conseqüentemente o custo da lavoura seja reduzido.

 Nos experimentos, também estão sendo feitos  testes relacionados à fertilidade do solo e nutrição de plantas. Assim, o manejo da adubação está sendo estudado em parceria também com o grupo do Arroz Faccio, onde testa-se diferentes doses de Nitrogênio, Fósforo, Potássio, Calcário e suas interações com o acompanhamento de análises de solos e plantas.

 A razão desta pesquisa, salienta Medeiros, ocorreu devido à identificação das chamadas "desordens nutricionais" nas áreas que são cultivadas intensivamente. Nas áreas novas ou pouco exploradas ainda não detectado este problema.

A PESQUISA

A Embrapa Roraima realiza pesquisa com a cultura do arroz irrigado desde 1982 e neste trabalho de mais de 20 anos foram recomendadas várias tecnologias que aliadas à experiência dos produtores locais, permitiram que o Sistema de Produção da cultura fosse constantemente ajustado, elevando Roraima à condição de exportador com destaque nacional em produtividade, onde na maioria das lavouras são obtidas médias de 6.500 kg/ha (130 sacas).

O Chefe-Geral da Embrapa Roraima e pesquisador desta cultura, Antônio Carlos Cordeiro,  ressalta que no início dos anos 80 a produtividade média do arroz irrigado esporadicamente  alcançava  média  de 4.500 kg/ha (90 sacas), ou seja, 44% menor. Além dos ganhos obtidos na produtividade, conquistou-se na qualidade do produto final tem sido crescentes  os resultados com  em alto percentual de grãos inteiros e do tipo 1, aqueles com poucos defeitos, e com um diferencial incontestável, o preço ao consumidor que é em média, 50% mais baixo que os de qualidade produzidos em outras regiões do país. No Estado, o arroz irrigado é plantado duas vezes ao ano, podendo chegar até três, em maio para colher em agosto e, em  outubro para colher em janeiro.

As pesquisas futuras, diz Cordeiro, estão direcionadas para a análise do impacto ambiental da atividade, o manejo integrado de pragas e doenças e plantas daninhas, manejo de fertilizantes e a obtenção de novas variedades resistentes à pragas e doenças.

Além disso, estão sendo desenvolvidos estudos com espécies silvestres da Amazônia  com o objetivo de transferir genes de importância comercial para a espécie cultivada. Em agosto deste ano, serão realizadas coletas nos Lavrados de Roraima.

O arroz irrigado é um dos produtos mais importantes do setor agrícola do Estado. Na safra de 2003/04 foram colhidos cerca de 18.000 hectares, gerando uma produção de 112.500 toneladas de arroz em casca. Desse total, 40% abastece o mercado de Roraima e 60% são exportados para outros estados da região Norte, principalmente, para o mercado de Manaus no estado do Amazonas que apresenta uma demanda de 90.000 toneladas de arroz beneficiado. Roraima atende apenas 20% dessa demanda e portanto apresenta um grande potencial de mercado, diz Cordeiro. O agronegócio do arroz gera diretamente cerca de 1.000 empregos diretos, além de vários indiretos, movimentando cerca de R$ 60 milhões  por ano. Aliado ao cultivo, foram estabelecidas várias agroindústrias que beneficiam e comercializam o produto tornando a atividade a mais organizada do Estado, representando 10,25% do Produto Interno Bruto (PIB) de Roraima. Estão envolvidos na atividade cerca de 30 produtores que se concentram nos municípios de Boa Vista, Cantá, Bonfim, Normandia e Pacaraima.

O arroz faz parte, juntamente com o feijão, da dieta básica da população brasileira, cujo consumo "per capita" anual é de 75 KG em casca. O grão é responsável por 24,2% do total de calorias e 17,9% das proteínas consumidas no país. É uma excelente fonte de carboidratos, os quais, por serem de absorção lenta, são capazes de prover o organismo com energia por períodos prolongados, contendo quantidades desprezíveis de gordura e, principalmente é livre de colesterol.  Além disso, é uma importante fonte de vitamina e sais minerais.

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