Com a perspectiva de diminuir os
custos com adubação da lavoura e lançar novas cultivares com
potencial superior ou igual às já existentes de arroz irrigado,
a Embrapa Roraima(Boa Vista-RR), Unidade da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, montou
experimentos com 500 materiais, sendo destes 30 em fase final de
avaliação, dos quais devem sair uma ou mais cultivares
melhoradas geneticamente.
As pesquisas estão sendo
desenvolvidas no Campo Experimental da Várzea, localizado na
Cidade Santa Cecília no município do Cantá, e em unidades
demonstrativas implantadas na fazenda Paraíso implantadas em
parceria com a Agroindústria Arroz Faccio.
A sociedade poderá ver estes
trabalhos por meio de dia de campo que deverá acontecer em março
ou por visitas as áreas.Este ano, os produtores roraimenses
terão acesso a uma nova variedade que será lançada pela Empresa.
Estão sendo testadas para
recomendação as cultivares BRS Jaburu e BRS Biguá, que
apresentam potencial produtivo de 10.000 kg/há, correspondendo a
200 sacas, e alta resistência a brusone. Isto significa, segundo
o pesquisador da Embrapa Roraima, Roberto Medeiros, diminuir o
custo de produção pois, elimina a necessidade do uso de
fungicidas e, conseqüentemente reduz o impacto ao meio ambiente.
Nesta mesma linha de trabalho,
estão sendo testadas várias novas linhagens promissoras, que
foram desenvolvidas com base em trabalhos de melhoramento
genético realizados no Estado como as RR-9025, RR-9018, RR-111,
RR-113, RR-8070 e duas linhagens com grãos do tipo "Japônica"
que são arredondados e pegajosos quando cozidos e direcionados à
culinária oriental, que acredita-se possam a vir ocupar nichos
de mercado mais específico.
Com relação ao manejo da
cultura do arroz irrigado, Roberto Medeiros explica que estão se
testando dosagens diferenciadas em cada parcela do experimento
para que se consiga obter adubação adequada a ser recomendada
aos produtores e, conseqüentemente o custo da lavoura seja
reduzido.
Nos experimentos, também estão
sendo feitos testes relacionados à fertilidade do solo e
nutrição de plantas. Assim, o manejo da adubação está sendo
estudado em parceria também com o grupo do Arroz Faccio, onde
testa-se diferentes doses de Nitrogênio, Fósforo, Potássio,
Calcário e suas interações com o acompanhamento de análises de
solos e plantas.
A razão desta pesquisa,
salienta Medeiros, ocorreu devido à identificação das chamadas
"desordens nutricionais" nas áreas que são cultivadas
intensivamente. Nas áreas novas ou pouco exploradas ainda não
detectado este problema.
A PESQUISA
A Embrapa Roraima realiza
pesquisa com a cultura do arroz irrigado desde 1982 e neste
trabalho de mais de 20 anos foram recomendadas várias
tecnologias que aliadas à experiência dos produtores locais,
permitiram que o Sistema de Produção da cultura fosse
constantemente ajustado, elevando Roraima à condição de
exportador com destaque nacional em produtividade, onde na
maioria das lavouras são obtidas médias de 6.500 kg/ha (130
sacas).
O Chefe-Geral da Embrapa
Roraima e pesquisador desta cultura, Antônio Carlos Cordeiro,
ressalta que no início dos anos 80 a produtividade média do
arroz irrigado esporadicamente alcançava média de 4.500 kg/ha
(90 sacas), ou seja, 44% menor. Além dos ganhos obtidos na
produtividade, conquistou-se na qualidade do produto final tem
sido crescentes os resultados com em alto percentual de grãos
inteiros e do tipo 1, aqueles com poucos defeitos, e com um
diferencial incontestável, o preço ao consumidor que é em média,
50% mais baixo que os de qualidade produzidos em outras regiões
do país. No Estado, o arroz irrigado é plantado duas vezes ao
ano, podendo chegar até três, em maio para colher em agosto e,
em outubro para colher em janeiro.
As pesquisas futuras, diz
Cordeiro, estão direcionadas para a análise do impacto ambiental
da atividade, o manejo integrado de pragas e doenças e plantas
daninhas, manejo de fertilizantes e a obtenção de novas
variedades resistentes à pragas e doenças.
Além disso, estão sendo
desenvolvidos estudos com espécies silvestres da Amazônia com o
objetivo de transferir genes de importância comercial para a
espécie cultivada. Em agosto deste ano, serão realizadas coletas
nos Lavrados de Roraima.
O arroz irrigado é um dos
produtos mais importantes do setor agrícola do Estado. Na safra
de 2003/04 foram colhidos cerca de 18.000 hectares, gerando uma
produção de 112.500 toneladas de arroz em casca. Desse total,
40% abastece o mercado de Roraima e 60% são exportados para
outros estados da região Norte, principalmente, para o mercado
de Manaus no estado do Amazonas que apresenta uma demanda de
90.000 toneladas de arroz beneficiado. Roraima atende apenas 20%
dessa demanda e portanto apresenta um grande potencial de
mercado, diz Cordeiro. O agronegócio do arroz gera diretamente
cerca de 1.000 empregos diretos, além de vários indiretos,
movimentando cerca de R$ 60 milhões por ano. Aliado ao cultivo,
foram estabelecidas várias agroindústrias que beneficiam e
comercializam o produto tornando a atividade a mais organizada
do Estado, representando 10,25% do Produto Interno Bruto (PIB)
de Roraima. Estão envolvidos na atividade cerca de 30 produtores
que se concentram nos municípios de Boa Vista, Cantá, Bonfim,
Normandia e Pacaraima.
O arroz faz parte, juntamente
com o feijão, da dieta básica da população brasileira, cujo
consumo "per capita" anual é de 75 KG em casca. O grão é
responsável por 24,2% do total de calorias e 17,9% das proteínas
consumidas no país. É uma excelente fonte de carboidratos, os
quais, por serem de absorção lenta, são capazes de prover o
organismo com energia por períodos prolongados, contendo
quantidades desprezíveis de gordura e, principalmente é livre de
colesterol. Além disso, é uma importante fonte de vitamina e
sais minerais.