Brazil
December 8, 2005
A
Embrapa Meio-Norte (Teresina,PI), unidade da
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, acaba de lançar o livro
“O Arroz-Vermelho Cultivado no Brasil”, de autoria do
pesquisador José Almeida Pereira, mestre em Produção Vegetal.
O arroz-vermelho é um dos principais componentes da dieta
alimentar do nordestino e é cultivado principalmente nos Estados
da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Bahia e
Alagoas, sendo também produzido em alguns municípios do Norte de
Minas Gerais. Nesses locais ele é consumido com o sem doce, com
ou sem canela, mas preferencialmente cozido no leite.
Segundo o autor, em todas essas áreas, a produção do
arroz-vermelho está relacionada com o hábito alimentar das
populações locais. “Apesar de ser alvo de grande interesse para
a agricultura familiar, esse arroz se encontra em franco
processo de extinção, em razão da forte concorrência da
indústria do arroz branco e do despovoamento do meio rural. O
pesquisador ressalta ainda que o livro tem como principal
objetivo resgatar e tornar públicas informações de natureza
geral e técnicas acerca desse importante patrimônio alimentar e
genético.
No Brasil ainda não há um programa de melhoramento genético
oficial. Pioneiramente, a Embrapa deu início nos últimos anos a
um trabalho de coleta e preservação de variedades tradicionais
de arroz-vermelho plantadas no País e está desenvolvendo também
um programa de melhoramento genético, por meio do qual pretende
gerar e difundir nas principais regiões produtoras, nos próximos
anos, as primeiras variedades geneticamente melhoradas de
arroz-vermelho.
Almeida alerta que a preservação e o aproveitamento da
variabilidade genética desse arroz devem merecer prioridades
imediatas, levando-se em conta que o abandono desse material
pode representar a ameaça iminente de desaparecimento de um
inestimável repositório de genes, que se conservados e manejados
convenientemente, serão de grande importância para a segurança
alimentar de grande parte das famílias nordestinas e também para
o melhoramento genético do arroz.
Mesmo sendo uma planta semi-aquática, que necessita de um
considerável volume de água, o arroz-vermelho se adaptou e se
propagou no sertão nordestino, a região mais seca do Brasil,
onde a pluviosidade média não costuma ser além dos 800
milímetros. É uma cultura praticamente desconhecida da maioria
da população brasileira, exceto das áreas já destacadas. O
arroz-vermelho é plantado principalmente por pequenos
agricultores do sertão nordestino, sem uso de qualquer
tecnologia, utilizando-se de sistemas de produção bastante
rudimentares.
As formas de se consumir o arroz-vermelho variam de um lugar
para outro. No Sertão Paraibano, é consumido principalmente com
feijão-caupi (feijão-de-corda) e queijo coalho, num prato
conhecido como arrubacão. No Ceará, é muito utilizado na
alimentação de parturientes, pois se acredita que ele possua
propriedades que propiciam o aumento da proução de leite. Nesses
e nos demais Estados produtotes, é utilizado na alimentação de
crianças, na forma da caldo de arroz ou água de arroz, como é
conhecido, para controlar diarréias.
Melhores informações sobre o livro “O Arroz-Vermelho Cultivado
no Brasil” podem ser obtidas no Setor de Vendas da Embrapa
Meio-Norte, na Av. Duque de Caxias, 5650, Buenos Aires, pelo
telefone (86) 3225-1141 - ramal 228 e ainda pelo endereço
eletrônico
sac@cpamn.embrapa.br. |