Brazil
August 30, 2005
A Embrapa
Cerrados (Planaltina-DF), em conjunto com a Embrapa Trigo (Passo
Fundo-RS), unidades da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
apresentará, em Dia de Campo a ser realizado no dia 14 de
setembro, na Fazenda Figueira, no PADF (Plano de Assentamento
Dirigido do Distrito Federal), as novas variedades de trigo BRS
254 e BRS 264. Essas variedades foram desenvolvidas pelo
Programa de Melhoramento Genético de Trigo da Embrapa, para o
sistema de produção irrigado. São indicadas para a região do
Cerrado do Brasil Central, que compreende os estados de Minas
Gerais, Goiás, Mato Grosso, Bahia e Distrito Federal.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados Júlio César Albrecht,
as novas variedades são produtivas e de ótima qualidade
industrial, foram desenvolvidas conforme os padrões exigidos
pelo mercado, para que os produtores tenham boa liquidez do
produto na hora da comercialização.
A produtividade da BRS 254, à nível de experimento, chega a
6.500 quilos por hectare. Nas áreas experimentais, a BRS 264
alcança produtividade de 7.500 quilos por hectare. Nos
experimentos, a produtividade da BRS 264 é em torno de 15%
superior as variedades mais plantadas, a Embrapa 22 e Embrapa
42, enquanto a BRS 254 é 9% mais produtiva que essas variedades
mais plantadas.
Outra característica da BRS 264 é a precocidade. O período entre
emergência e espigamento é de 50 dias, e da emergência à
maturação é de 108 dias. Com a BRS 254, o período de emergência
ao espigamento dura em média 55 dias, e da emergência à
maturação em média 115 dias, semelhante a Embrapa 22 e Embrapa
42.
A variedade BRS 254 é proveniente do cruzamento da Embrapa 22
com a cultivar Anahuac. A BRS 264 é originada do cruzamento das
cultivares Buckbuck, Chiroca e Tui. Ainda em relação às
características agronômicas, a BRS 254 tem altura média de 86
centímetros, enquanto que a altura da BRS 264 é de 90
centímetros. Ambas têm coloração do grão vermelho escuro e
duros, que são exigências do mercado.
Em termos de classificação comercial, a BRS 254 é um trigo
classificado como melhorador, com alta força de glúten, é em
média 330x 10 –4J, variando entre 297 a 383 x10 –4 J, podendo
ser utilizada na fabricação de massas alimentícias, bolacha tipo
água e sal, pão industrial (pão de forma) e mesclada com trigos
brandos para fins de panificação. A BRS 264 é classificada como
trigo pão, com alta força de glúten em média 250x10 –4 J, com
uma variação observada entre 200 a 314x 10 –4 J, também
utilizada na panificação, fabricação de massas alimentícias e
pão industrial.
Outra característica importante para a industria é o peso
hectolitro (kg/hl), quanto maior o peso, maior o rendimento da
farinha. A BRS 254 e a BRS 264 têm peso hectolitro, em média,
81. O peso de 1.000 sementes da BRS 254 é em média de 39 g e o
da BRS 264 é de 38 g. O teor de proteína da BRS 254 é em média
11.4% e o da BRS 264 é de 11%, com variação de 9 a 12%. O
rendimento industrial da BRS 254 é em média de 62.2% (base 14%
de umidade) e da BRS 264 em média de 66.4% (base 14% de
umidade).
As novas variedades são indicadas para altitudes superiores a
500 metros. A época de semeadura do trigo irrigado é entre 10 de
abril e 30 de maio, a profundidade de semeadura é em torno de 5
cm, o espaçamento é de 17 centímetros, entre fileiras, e a
densidade de 270 a 350 sementes aptas por metro quadrado.
Trigo na região do Cerrado.
A área plantada de trigo irrigado na região do Cerrado é em
torno de 60 mil hectares, que produz aproximadamente 5% da
produção nacional. De acordo com Júlio Albrecht, a cadeia
produtiva do trigo na região tem potencial para produzir de 15 a
25% do trigo consumido no País. O trigo é uma opção importante
para agricultura irrigada da região, por possibilitar a rotação
de cultura com as leguminosas, como o feijão que é a cultura
mais plantada pelos irrigantes, e com as hortaliças (alho,
cebola, batata, tomate e cenoura). Os agricultores perceberam
que o trigo é uma excelente alternativa para o seu sistema de
produção.
O pesquisador da Embrapa Cerrados explica que como o trigo é uma
gramínea, a cultura entra no sistema de produção irrigado para
quebrar o ciclo de doenças das leguminosas, principalmente os
fungos de solo.
Apesar dos baixos preços da comercialização do trigo este ano, a
cultura ainda é rentável pela sua alta produtividade. Como o
trigo do Cerrado é o primeiro a ser colhido no Brasil (entre os
meses de agosto e setembro) e de excelente qualidade industrial,
os preços são melhores que os praticados no sul do país.
Os custos de produção este ano estão em média em torno de R$
1.600 por hectare, mantendo-se próximo aos valores do ano
passado. Atualmente, o trigo está sendo comercializado entre R$
26,00 a R$ 27,00 por saco (de 60 quilos), semelhante aos valores
praticados em 2004.
A conjuntura atual da cadeia produtiva de trigo exige, do setor
como um todo, maior integração desde a porteira até a indústria
moageira. A Embrapa vem trabalhando no sentido de atuar mais
intensamente com a cadeia produtiva de trigo na região do
Cerrado, melhorar as relações entre seus integrantes, que na
maioria das ocasiões não se conhecem. Ao mesmo tempo, a pesquisa
vem procurando ajustar a criação de cultivares à nova realidade
de mercado, com maior competitividade e melhor regionalizadas.
Dia de Campo
O Dia de Campo, em que serão apresentadas as novas variedades de
trigo irrigado, ocorrerá na Fazenda Figueira, propriedade do
produtor José Carlos Werlang, localizada na Rodovia BR 251, Km
07, PADF, Distrito Federal-DF.
As palestras serão ministradas em quatro estações técnicas. Na
primeira, o pesquisador da Embrapa Cerrados Júlio César Albrecht
e o presidente da Cooperativa do PADF Cláudio Malinski abordarão
as novas cultivares de trigo irrigado para o Cerrado. Na segunda
estação, os pesquisadores Fernando Guerra (Embrapa Cerrados) e
Walter Quadros Ribeiro Júnior (Embrapa Trigo) falarão sobre o
manejo da cultura do trigo.
A fertilidade dos solos será o tema da terceira estação, com o
pesquisador da Embrapa Cerrados Djalma Martinhão Gomes de Souza.
O pesquisador Charles Martins de Oliveira (Embrapa Cerrados)
abordará, na quarta estação, o problema das pragas na cultura do
trigo.
Os interessados em participar do Dia de Campo poderão fazer
inscrição no local, na Fazenda Figueira, de 8 horas às 9 horas. |