Brazil
August 18, 2005
"Está na
hora de Sergipe adotar a cultura do sorgo. Por ser mais
resistente ao clima seco, ele pode se tornar uma alternativa
para a região do semi-árido e há anos vem sido amplamente
utilizada, principalmente, em estados que têm economia forte nas
áreas de avicultura e suinocultura”, informou o pesquisador Luiz
Marcelo Aguiar, da Embrapa Milho e Sorgo ( Sete lagoas – MG),
durante o Curso Sistema de Produção de Sorgo que terminou no dia
17 de agosto, no auditório da Embrapa Tabuleiros Costeiros,
unidade da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Aracaju (SE).
Cerca de 50 pessoas, entre produtores rurais, estudantes e
técnicos participaram do evento que começou no dia 16. “Nas duas
últimas safras, quase todos os municípios sergipanos foram
contemplados pelo Zoneamento de Risco Climático do Sorgo. Mas,
não houve, ainda, um incremento da área plantada. Acreditamos
que com a divulgação desta cultura e da forma de produção
poderemos reverter esta situação”, informou a pesquisadora Ana
Alexandrina Gama da Silva,.
Na opinião do pesquisador José Nildo Tabosa, Empresa
Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA), outro palestrante
do curso, o fato de o milho ter uma tradição em alguns
municípios sergipanos facilita a adoção do sorgo. “Percebi que
os participantes têm conhecimento da cultura do milho, o que
facilita a introdução do sorgo, exigindo apenas um processo de
adaptação. Deixamos claro que o objetivo é conciliar as duas
culturas, cada uma naquela região onde o risco de frustração de
perda de produção é mais baixa”, observou.
Tabosa também falou sobre o projeto de sorgo que vem sendo
desenvolvido em Pernambuco envolvendo governo estadual e
empresários da agricultura. “Hoje temos área de 25 mil hectares
plantados e colhidos no sertão de Pernambuco o que deve gerar
produção de 50 mil toneladas. Sabemos que o sorgo é um pouco
inferior com relação ao teor protéico e ao valor de venda, mas
em compensação a frustração de safra do sorgo é muito menor”,
avaliou Tabosa.
Segundo Tabosa, a produção de milho em grão em Pernambuco, cerca
de 150 mil toneladas por ano, atende apenas à uma quinta parte
da demanda. Ele diz que só a cadeia produtiva da avicultura
demanda cerca de 500 mil toneladas anuais de milho, o que
representa importação do produto de outras praças e também do
exterior. O produtor rural Marcos Domingos Oliveira, que
participou do curso está atento a esta questão. "Precisamos
contra balancear essa situação. Tenho interesse na produção do
sorgo para suprir a alimentação de aves”, acrescentou. |