Os produtores brasileiros devem enfrentar três grandes
desafios na safra 2004/2005, que começa a ser semeada em
outubro: a ocorrência de ferrugem asiática da soja, o
aumento nos custos de produção e a queda nos preços
internacionais desta oleaginosa, devido à superprodução
americana. Por isso, os pesquisadores da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada
ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
alertam os produtores a dar atenção especial ao uso
racional de insumos em todas as operações – do plantio à
colheita – para obter lucro ou evitar prejuízo na
exploração da soja.
O
pesquisador Antonio Garcia, da Embrapa Soja, orienta os
produtores a deixar as máquinas reguladas para iniciar a
semeadura da soja, na primeira chuva. As primeiras
semeaduras devem ser menos prejudicadas pela ferrugem,
já que a presença do fungo Phakopsora pachyrhizi,
causador da ferrugem, será menor no início da safra. "Ao
semear a soja mais cedo, os produtores também podem
controlar melhor os percevejos, que têm sua população
aumentada, no período de formação e no enchimento de
grão", diz ele.
Em relação à ferrugem asiática, a principal recomendação
dos pesquisadores é pelo monitoramento constante da
lavoura. Com a expectativa de preços para a
comercialização abaixo de R$30,00/saca, o cuidado com
pulverizações contra a ferrugem deve ser redobrado. Além
disso, os custos de produção aumentaram, em média, 20%
em relação à safra anterior.
Cada aplicação de fungicida para combater a ferrugem
deve aumentar os custos de produção em US$ 0,80 a US$
1,00 por saca de 60kg, dependendo da região, do produto,
do equipamento, da topografia e outras variáveis. "Dessa
forma o monitoramento constante da lavoura poderá ser a
diferença entre sucesso ou fracasso no empreendimento",
diz pesquisador Antonio Carlos Roessing.
Em Sorriso, no Mato Grosso, por exemplo, a quantidade de
fertilizantes para produzir 56 sacas/ha deveria ser de
336kg/ha da fórmula mais utilizada na região. No
entanto, a quantidade média de fertilizantes por hectare
utilizada na região de Sorriso é de 530kg/ha. "Isso
significa 194kg/ha a mais do que seria necessário, o que
representa um acréscimo de R$127,45/ha no custo de
produção, ou US$0,33 a mais por saca", afirma Roessing.
A orientação da Embrapa Soja é para que o produtor tente
racionalizar ao máximo o uso dos recursos produtivos
para reduzir os custos de produção. "Não se deve deixar
de usar insumos, por exemplo, mas aplicá-los com
planejamento. Isso colabora para manter o controle dos
custos variáveis e, com base neles, é possível
determinar a produção mínima para que não haja
prejuízos", orienta o pesquisador Gedi Sfredo, da
Embrapa Soja.
Para auxiliar na adubação racional, a Embrapa Soja
lançou o Nutrifert, um CD-ROM que facilita a utilização
das tabelas de adubação, existentes nas recomendações
técnicas da pesquisa para a assistência técnica. As
planilhas indicam uma recomendação mais precisa, quando
se pensa doses balanceadas.
Preços
Na safra 2003/2004, a oferta mundial de soja foi de 190
milhões de toneladas para uma demanda de 208 milhões de
toneladas. Esse fato contribuiu para que os preços
atingissem valores superiores a média histórica.
Para o ano
de 2005, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados
Unidos) está publicando uma estimativa de 229 milhões de
toneladas de soja. "Caso seja confirmado esse volume,
deve-se esperar preços dentro da média histórica, ou
seja entre US$10 e US$12 por saca", diz Roessing. "O
retorno econômico será garantido com aumento de
produtividade e/ou racionalização no emprego de insumos,
uma vez que não é possível precisar como se comportará o
preço da soja", avalia Roessing. |