Brasília,
Brazil
May 18, 2004
Adriano
Gaieski
Agência Brasil
Nos
próximos dias, o Senado vota a Lei de Biossegurança, enviada
pela Câmara dos Deputados no dia 5 de fevereiro. A expectativa é
do presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa),
Cleiton Campanhola. Ele se disse otimista, porque a lei vai
flexibilizar a pesquisa com organismos geneticamente modificados
e dar tranqüilidade aos cientistas para trabalhar.
“O ponto fundamental é que ela (a lei) vai ditar as regras de
modo claro sobre os transgênicos. Para a Embrapa e as
instituições de ciência e tecnologia, é um grande avanço, pois
fará com que as pesquisas voltem ao ritmo normal”, afirmou. Na
opinião de Campanhola, a Lei de Biossegurança diminuirá os
entraves às pesquisas, ainda que não acabe com todas as
exigências naturais. "Mas nós temos uma expectativa muito grande
e muito boa. As coisas finalmente se definem e ficam claras”.
O presidente da Embrapa lembrou a legislação vigente exige
licença ambiental, até para fazer pesquisas de campo. No ano
passado, conta ele, a Embrapa e o Instituto Brasileiro de Meio
ambiente e Recursaos Naturais renováveis (Ibama) desenvolveram
em parceria um método para obter a licença, o que resultou na
agilização do processo. Com a nova legislação, isto será
praticamente eliminado. "Agora temos de tocar para frente todos
os projetos em andamento”.
A Embrapa tem em desenvolvimento projetos sobre algodão, milho,
batata e outros produtos, na fila para experimentos. “Nós já
temos resultados de laboratório e de caso de vegetação, que
precisam ir a campo para serem validados e mostrar que, além dos
benefícios da transgenia resistente a pragas, doenças e seca,
tem a questão da produtividade e todas as características
agronômicas preservadas”.
Sobre o algodão, Campanhola disse que em três ou quatro anos o
país terá condições de desenvolver a espécie transgênica. ele
lembrou que o produto brasileiro enfrenta concorrentes
transgênicos no mercado internacional e o custeio subsidiado em
outros países. Este é o caso dos Estados Unidos, com quem o
Brasil tem um contencioso na Organização Mundial do Comércio, e
uma vitória parcial.
O material já está disponível e a Embrapa detém o conhecimento,
principalmente do algodão BT, resistente a algumas espécies de
lagartas. Campanhola diz que em três ou quatro anos o país terá
condições de desenvolver a espécie transgênica do produto. “Esse
algodão tem uma série de vantagens, porque elimina a necessidade
da aplicação em excesso de defensivos, trazendo vantagens ao
meio ambiente. Existem cuidados que precisam ser estudados com
relação a uma possível transferência para espécies silvestres.
Mas isto faz parte das precauções, do programa de manejo, que é
adotado para qualquer cultura ou tecnologia”, explicou.
Campanhola destacou que o desenvolvimento científico e
tecnológico também é importante no esforço de inclusão social,
um dos compromissos deste governo. Ele lembrou que, do Orçamento
deste ano, de R$ 822 milhões (incluindo R$ 224 milhões para
pesquisa e seus custos fixos), cerca de 8% se destinam a
beneficiar os excluídos do campo e inseri-los no mercado. “A
tendência cada vez maior no mundo globalizado, na abertura de
mercados, é que a ciência prevaleça sobre os subsídios e
barreiras comerciais. A competência e a qualidade é que vão
predominar nos anos futuros", afirmou. Camponhola falou hoje
durante o lançamento da IV Exposição Ciência Para a Vida – Fórum
Ciência e Sociedade, que vai até domingo, na sede da Embrapa, em
Brasília. |