Brasília,
Brazil
March 1, 2004
Os
avanços e os desafios da pesquisa da soja, a produção agrícola
brasileira, e questões mais delicadas como a polêmica dos
transgênicos deram o tom da solenidade de abertura do VII
Conferência Mundial de Pesquisa de Soja, da IV Conferência
Internacional de Processamento e Utilização de Soja e do III
Congresso Brasileiro de Soja; eventos que acontecem
simultaneamente em Foz do Iguaçu, Paraná, no Centro de
Convenções do Hotel Bourbon. Os eventos promovidos pela
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, vão até dia
05 de março.
Participaram da cerimônia de abertura, o Ministro da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, o
presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, o vice-governador do
Paraná, e secretário de agricultura do Estado, Orlando Pessuti,
o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, o deputado
federal Alex Canziani, o pesquisador e presidente da comissão
organizadora dos eventos, Flávio Moscardi, além de Sérgio
Gabriel, representante da prefeitura de Foz do Iguaçu.
O pesquisador e membro da Academia Brasileira de Ciências,
Flávio Moscardi, lembrou que esta é a primeira vez que um evento
desta magnitude acontece no Brasil. "O País se torna o foco
principal da soja no mundo. A pesquisa tem contribuído para o
crescimento da produção e produtividade, atendendo a demandas
globais. A participação da Embrapa foi fundamental, como
coordenador a da pesquisa de soja no Brasil", afirmou. Em 2005,
a Embrapa Soja, com sede em Londrina (PR) completa 30 anos,
marcada por uma "trajetória de sucesso e grandes contribuições",
continuou o pesquisador. Na ocasião, Moscardi também fez o
lançamento da cidade de Londrina como a Capital Tecnológica da
Soja. Ele também falou sobre os desafios da pesquisa quanto ao
combate da ferrugem asiática e na aceleração do desenvolvimento
de tecnologia de soja para o consumo humano.
Jorge Samek, presidente da Itaipu Binacional, falou da
importância das cooperativas no desenvolvimento da agricultura
do Paraná. "Elas têm o papel decisivo na agregação de valor. O
Paraná é um exemplo para o mundo de como a agricultura pode
melhorar a qualidade de vida", afirmou. "O desenvolvimento da
agricultura e da pecuária no Brasil não seria possível sem a
contribuição de empresas como a Embrapa". O presidente da
Embrapa, Clayton Campanhola, ilustrou o potencial da empresa com
números.
"Estima-se que o complexo soja seja responsável por nove milhões
de postos de trabalho, sendo que, diretamente na cultura da
soja, temos 1,5 milhão de pessoas empregadas", disse. Campanhola
ainda afirmou que não se pode desvincular a soja brasileira da
Embrapa, das instituições de ensino, da assistência técnica e da
extensão rural. Toda a tecnologia desenvolvida não teria o mesmo
valor sem a difusão. Os principais cenários estão se desenhando.
"É preciso investimento constante na pesquisa, gerando
tecnologia que auxilie a toda a produção. Ainda é necessário
intensificar o estudo na área de biotecnologia para o ganho de
produção, para a soja na alimentação, promover a união do setor
público e privado para garantir mais agilidade na pesquisa e
transferência de tecnologia e ainda, dar através da pesquisa
sustentação na expansão da produção de grãos em áreas frágeis",
afirma Campanhola.
Transgênicos - A questão dos transgênicos foi abordada pela
primeira vez, durante a solenidade de abertura, pelo
vice-governador do Estado e secretário de agricultura, Orlando
Pessuti. Depois de falar da possibilidade de o Brasil se tornar
o maior produtor mundial da soja e do papel a ser desempenhado
no combate à fome e à miséria; da atuação da Embrapa, do
Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e das universidades junto
ao desenvolvimento da agricultura paranaense, Pessuti reafirmou
que é desejo do Governo Estadual que o Paraná seja área livre de
transgênicos. "É hora de sermos cautelosos, de agirmos com
precaução. O Paraná não é contra a biotecnologia, não é contra a
ciência. No nosso entendimento, aquilo que ainda não está claro,
que ainda oferece dificuldade de entendimento, merece
precaução", disse. Pessuti referiu-se ao fato de o Congresso
Brasileiro ainda não ter definido claramente a lei que
regulamenta os transgênicos no País.
Último a falar, o ministro Roberto Rodrigues, disse –
respondendo do vice-governador e secretário da agricultura – que
até o final de abril, o Brasil terá uma lei de biosegurança, que
vai dar a linha de conduta para os transgênicos. Para Rodrigues,
a soja ainda tem outros desafios. O primeiro, ser refere a
logística e estrutura. "Precisamos cuidar da conquista de novos
mercados, abrir novas fronteiras com cuidado para não sofrermos
a 'crise de abundância', provocada por um excedente de produção.
É preciso muito cuidado e luta no modo de se negociação
internacional", disso. O ministro ainda criticou a falta de
lideranças ligadas à soja nas mesas de negociação. "Não é
possível que o Brasil, como um dos maiores produtores, não
participe da formação do preço; ficando à mercê do preço
estipulado por empresas multinacionais na Bolsa de Chicago",
afirmou.
Rodrigues finalizou a sua fala, dizendo que a agricultura é a
vocação do Brasil. "O Governo Federal tem que criar condições
para que o produtor não seja colhido por fatores estranhos à sua
vontade. A agricultura é o maior negócio do País, a nossa âncora
verde", disse.
Presidente da Embrapa destaca
"jeitinho" brasileiro de fazer soja
Em entrevista concedida a jornalistas
de veículos locais e nacionais, na solenidade de abertura da VII
Conferência Mundial de Pesquisa de Soja, da IV Conferência
Internacional de Processamento e Utilização de Soja e do III
Congresso Brasileiro de Soja; eventos que acontecem
simultaneamente em Foz do Iguaçu, Paraná, no Centro de
Convenções do Hotel Bourbon, o Diretor-Presidente da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa),vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Clayton
Campanhola, disse que a realização desses três eventos é
fundamental para o futuro da soja no Brasil e no mundo.
Campanhola lembrou que o Brasil, em apenas quatro décadas,
passou de uma produção de 206 mil toneladas para 52 milhões de
toneladas, com perspectivas de aumento para 58 milhões na
próxima safra. "O grande mérito da Embrapa para que o País
chegasse ao atual patamar de eficiência, foi a realização de
estudos de adaptação da soja, cultura originalmente de clima
temperado, ao clima brasileiro, o chamado processo de
"tropicalização da soja", disse. "Foram lançadas, desde a
fundação da Embrapa, na década de 70, 206 variedades. Hoje, 50%
da área nacional cultivada tem variedades desenvolvidas por
nossos pesquisadores", informou.Os eventos promovidos pela
Embrapa, prosseguem até dia 05 de março.
A respeito da dicotomia soja transgênica e soja convencional,
Camponhola afirmou que a pesquisa na área é questão de domínio
tecnológico para o Brasil. "A Embrapa, enquanto instituição de
pesquisa agropecuária, tem grande papel a desempenhar para
garantir a nossa soberania nacional. Se deixarmos essa tarefa
somente nas mãos do setor privado, serão atendidas parcelas de
interesse", alertou. Com relação à pesquisa de produtos
transgênicos, Campanhola informou que, em nenhum momento, foi
paralisada; exceção à pesquisa de campo, que teve uma
desaceleração em decorrência das restrições legais. "Temos a
preocupação de realizar nosso trabalho com respeito à legislação
vigente. Também cuidamos para que os resultados gerados pela
pesquisa agropecuária brasileira cheguem à sociedade",
esclareceu.
Sobre biossegurança, Campanhola informou que a Embrapa está
trabalhando em conjunto com o Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento. "Nosso interesse é que a pesquisa
também caminhe nessa área para garantir a segurança alimentar da
população.
O Diretor-Presidente da Embrapa frisou a importância de haver
investimento constante em pesquisa e do fortalecimento de
parcerias com a iniciativa pública e a privada, para garantir o
volume de produção de soja no Brasil. "As discussões abordadas
durante esses eventos irão subsidiar e nivelar os conhecimentos
técnico-científicos sobre produção, processamento e utilização
da soja no mundo. Convidamos os participantes a conhecer e
experimentar o "jeitinho" brasileiro de fazer soja", finalizou. |