Brazil
June 24, 2004
A partir deste mês, o Brasil e a
China começam a colocar em prática a minuta do plano de trabalho
de cooperação técnica e científica, assinado, em maio, entre a
Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) , vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a instituição de
pesquisa chinesa, Chinese
Academy of Agricultural Sciences (CAAS). O acordo, a ser
implementado até dezembro de 2006, definiu interesses mútuos de
cooperação nas áreas de recursos genéticos, biologia avançada e
mecanização para pequenas propriedades.
A delegação brasileira, que esteve, em maio, em Beijing e
Hangzhou, na China, contou com a participação de Mariza Barbosa,
Diretora Executiva da Embrapa; Geraldo Eugênio de França,
superintendente de P&D da Embrapa; Maurício Antônio Lopes, chefe
de pesquisa e desenvolvimento, Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia, Alexandre Lima Nepomuceno, pesquisador da Embrapa
Soja e Elizabeth Ying Chu, da Embrapa Amazônia Oriental.
Segundo Nepomuceno, da Embrapa Soja, no primeiro ano, serão
intercambiadas listas dos recursos genéticos vegetais (soja,
amendoim, arroz e outras espécies de interesses) de cada país.
Posteriormente serão trocados de 500 a 1000 ítens listados para
serem testados em ambos países. Cientistas de cada instituição
deverão estar envolvidos nessas atividades, em visitas de curto
e longo prazo e em missões de coleta de materiais genéticos.
A Embrapa Soja, sediada em Londrina (PR), já está organizando
para setembro a visita dos pesquisadores, Qiu Lijuan e Mei Tão,
da Beijing National Soybean Improvement sub-Center. Os
cientistas chineses demonstram interesse em ter acesso às
variedades desenvolvidas pela Embrapa que se adaptam ao plantio
em baixas latitudes e a variedades que possuem resistência a
doenças, nematóides e para o consumo humano. "Em contrapartida,
a Embrapa terá acesso à coleção de soja chinesa que possui 30
mil acessos no seu banco germoplasma (espécie de banco de
sementes)", explica Nepomuceno.
Por outro lado, os cientistas chineses poderão avaliar os bancos
de dados da Embrapa, que estão sendo desenvolvidos no projeto
Genoma Funcional de Raízes de Soja para identificação de genes
de tolerância à seca e resistência a nematóides. "A China também
têm interesse pela metodologia de transformação de soja por
biobalística, metodologia desenvolvida e patenteada pela
Embrapa. Por outro lado, a Embrapa poderia acessar a metodologia
de transformação de algodão desenvolvida pelos chineses",
revela. Entre outras ações, a cooperação prevê a elaboração
conjunta de projeto estudo do genoma funcional da soja até o
final do ano de 2005.
Atualmente Nepomuceno está realizando trabalhos conjuntos em
laboratórios do Jircas. O objetivo é incrementar as pesquisas
com plantas de soja tolerantes à seca. |