Boa Vista, RR, Brazil
April 16, 2004
Após um estudo que
levou quatro meses, a
Embrapa Roraima (Boa Vista, RR), unidade da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está indicando os
híbridos de pimentão Nathalie, Amanda e Magali, já
produzidos em escala comercial, como os mais adequados ao
cultivo no município de Boa Vista, através do Projeto
Estufa. O trabalho foi coordenado pelo pesquisador Bernardo
Halfeld Vieira.
Esses híbridos, segundo o pesquisador, se destacaram pela
produtividade. Eles tiveram um potencial médio, semanal, por
estufa, de 1.306 frutos maduros, o que equivale a 100
quilos, toda semana. As plantas, durante a condução do
experimento, foram atacadas pelo ácaro-branco e a
antracnose, praga e doença comuns no cultivo de pimentão.
O ácaro-branco,
cujo ataque se caracteriza pelo alongamento e a deformação
das folhas, foi controlado pelo princípio ativo abamectin.
Já a antracnose, que se manifesta através de manchas escuras
e provoca o apodrecimento do fruto, não avançou. Os três
híbridos tiveram poucas perdas sem a necessidade da
aplicação de fungicidas. |
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Os híbridos destacaram se pela produtividade |
Um fato chamou a
atenção da equipe de pesquisadores: houve uma redução
significativa das perdas em colheitas seguintes, à medida que os
frutos atacados eram removidos da área plantada. "Constatamos
que essa é uma prática importante no manejo integrado da
antracnose", revela Bernardo Halfeld.
O estudo de viabilidade produtiva dos híbridos de pimentão foi a
primeira ação efetiva da Embrapa Roraima no Projeto Estufa, da
Prefeitura de Boa Vista, ampliando assim as parcerias da Unidade
na Agricultura Familiar. Além de Bernardo Halfeld Vieira,
trabalharam no estudo os pesquisadores Kátia Nechet, Paulo
Roberto Valle e Moisés Mourão Júnior, da Embrapa; e Wellington
Farias, da Universidade Federal de Roraima.
Emprego e renda – Nascido há sete meses para gerar emprego e
renda num município onde as oportunidades de trabalho são
poucas, o Projeto Estufa, através de uma cooperativa dos
hortifrutigranjeiros, já tem hoje 108 produtores. A projeção
para o final deste ano é de que o número chegue a 400
associados, segundo o diretor de Produção e Comercialização da
Secretaria Municipal de Agricultura, Ivan Luiz Oliveira.
Cada associado tem uma produção média, por semana, de 350 quilos
de produtos como abobrinha, alface, acelga, abóbora, agrião,
acerola, macaxeira, pimentão, tomate, mamão, pepino,
cheiro-verde, couve, feijão metro, quiabo e outros.
A renda
média bruta de cada produtor, mensalmente, é de R$ 1.500,00.
O pimentão
produzido no projeto, por exemplo, é comprado pela cooperativa
por R$ 1,00 o quilo, em média. Este mês a média do preço do
quilo de pimentão, no varejo, nas feiras livres e supermercados
de Boa Vista, é de R$ 2,00. Segundo Ivan Luiz Oliveira, o preço
de repasse dos produtos da cooperativa varia de acordo com o
Balcão do Agronegócio do Amazonas, em Manaus; e com a Ceagesp,
em São Paulo.
Controle – A estrutura da estufa do projeto - que na verdade é
uma unidade de cultivo protegido – tem 350 metros quadrados com
tela de aço, plástico, ferro, madeira e ainda dispõe de um
mini-sistema de irrigação. Ela controla o excesso de chuva,
reduzindo a incidência de doenças e permitindo uma produção
contínua durante todo o ano. |